No momento em que o país chora a morte de Luísa Diogo, deu para Bula-Bula recordar-se de inesperado momento da então ministra das Finanças de Moçambique em Paris, onde deveria participar em mais um dos muitos fóruns económicos mundiais em que a sua competência era requisitada. A verdade é que as viagens de Luísa Diogo tinham um propósito, reescalonar a dívida de Moçambique, empreitada que em muitas ocasiões resultou até no seu perdão, ou parte dela, para espanto do então Presidente da República Joaquim Chissano.
Os economistas recordam-se da antiga ministra das Finanças como uma negociadora extremamente pragmática, que se documentava antes de enfrentar o clube dos credores. Luísa Diogo conhecia o funcionamento das instituições da Bretton Woods, antecipava-se às suas condições e imposições, prevendo-as em matrizes cuidadosamente estudadas, e preparava-se para todas as eventualidades de cada vez que tinha que enfrentar os austeros homens dos créditos.
Há-de ser numa dessas ocasiões, entre Paris e Nova Iorque, e bem antes de aparecerem outras praças de agentes fiduciários, como as do Médio Oriente, que a então ministra das Finanças desembarcou no Aeroporto Charles De Gaulle, depois de uma viagem em que sequer pregara olho e passada copiosamente a analisar os seus apontamentos, criteriosamente dispostos em gráficos e pequenas anotações.
Chegados aqui, Bula-Bula conta a história com um misto de nostalgia e exaltação da grandeza de Luísa Diogo. Depois do desembarque em Paris, a ex-primeira-ministra e, ao tempo, ministra das Finanças, dirigiu-se à sala reservada aos passageiros que desembarcavam com estatuto especial, como era o seu caso, e até se despediu dos jornalistas que a acompanhavam com um “até já”.Leia mais…

