Esta semana o lixo foi notícia pelas mesmas razões imundas. Só que não tinha nada a ver com resíduos, nem orgânicos, nem domésticos ,nem mesmo electrónicos. O lixo que Bula -Bula viu virar notícia foi outro, mais radioactivo, mais infeccioso e perigoso, bem na cabeça de uma escória que se faz passar por catadores de lixo.
Não é a primeira vez que os vemos em acção insalubre, ali pelas bandas do Hulene. As viaturas são atacadas quando a um deles lhe dá vontade de apedrejar; as senhoras que regressam das compras são obrigadas a partilhar o parco sustento com a matilha; os autocarros invadidos e os seus passageiros assaltados na calada…
A lixeira de Hulene está pejada de lixo, já há muito que anda para ser transferida e deslocalizada, mas o pior lixo que por ali abunda é, sem dúvidas, o bando que tomou conta do perímetro, criando até medo aos verdadeiros “catadores”, que transformam o lixo em moeda de sobrevivência.
Desta vez Bula-Bula acha que foram longe demais. Reagindo a uma rusga policial que visava neutralizar criminosos, os catadores que transportam o lixo na cabeça queimaram um camião e uma pá escavadora do município, confirmando que a incursão policial tinha, afinal, razão de existir.
A escumalha de lixo na cabeça, que incomoda os verdadeiros catadores, aqueles que até merecem admiração de Bula-Bula, está ali embuçada há bastante tempo e já deveria ter sido desbaratada. É a mesma turba que durante as manifestações pós-eleitoral, e mesmo depois delas, cobrava os motoristas que por ali transitavam, no melhor de uma portagem da Revimo.
Bula-Bula, que gosta dos verdadeiros catadores mas detesta os badernistas catadores, acha que estas rusgas policiais deviam continuar até ao âmago da lixeira, bem lá no núcleo, pois que por ali deve haver ainda muito lixo para recolher à cadeia, tal como na cabeça de alguns (muitos!) motoristas e cobradores de “chapas” que continuam a espalhar fedor e anarquia pelas ruas e paragens que as querem transformadas em lixeiras ambulantes!

