Bula Bula

Mão externa (?) tramou Vahanle

No teatro, um jargão cansado e coçado pelo tempo – mas válido e fundamental – ensina que o melhor improviso é aquele que resulta de muito treinamento; ou seja, terá maior capacidade de improvisação o actor que tiver ensaiado direitinho a cena em que entra. Alguém devia dizer isto ao bom e simpático de Vahanle, o intrépido presidente do município de Nampula.

É que para malta nós, povo, os dirigentes sabem sempre o que falar… por isso são bosses. Agora ver um chefe grande aflito porque não “sabe” o que dizer fica um pouco estranho. Afinal não estudam os “casos” ou “dossiers” antes de intervirem nas reuniões ou encontros com populares?

Pelo menos é essa a impressão que ficou na mente de Bula-bula depois de ver o Vanhale aflito – visivelmente aflito – por não achar entre os papéis o discurso do dia. A cara dele lembrava a de um pai zangado porque os filhos esconderam um sapato do único par de calçados que ele tem… em pleno domingo!

O homem arfava que só um dragão. Inicialmente até fê-lo com alguma discrição. Era só ver o homem a transpirar, virando e revirando o calhamaço de papéis… até que já não pôde mais conter a fúria dentro de si: “onde está o meu discurso?”, disparou à queima roupa. O tal discurso até tinha anotações feitas a lapiseira. Não havia direito de fazerem aquilo. Então queriam que o homem falasse de improviso? Para se engasgar?

Acto contínuo, vimos um exército inteiro à procura do famoso discurso. Um chefe que se preza, nem o seu próprio celular carrega. Há serviçais para tal. Com o discurso a mesma coisa… chefe que é chefe espera encontrar isso já no pódio… então o que estaria a acontecer? Que magia era aquela que punha em causa a integridade do chefe- -grande?…

Como sempre, as más línguas não se acoitaram… uns disseram imediatamente que aquilo tinha a ver com a proximidade da data de leitura da sentença do “Caso Amurane”; outros que havia na Assembleia Municipal gente ao serviço de outras frentes… mas a teoria que pareceu vingar foi a de que uma senhora, empoleirada numa vassoura de palha, com um chapéu pontiagudo, zangada por causa dos cortes constantes de energia na cidade de Nampula, fizera sumir o famoso discurso. Segundo os defensores desta última tese, a senhora culpava Vahanle pr esses cortes porque ele é que tem aparecido a dizer que está na liderança do município para resolver todos os problemas do povo… então que resolvesse também a cena dos cortes de energia.

Teoria à parte, Bula-bula aconselha ao bom do Vahanle a ter cuidado. Melhor ler mesmo os discursos e se possível fazer cábula. Não vá o diabo tecê-las mais uma vez… até porque a sabedoria popular ensina que não há um sem dois!

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