Bula Bula

Jogo de paciência…

Há problemas terríveis nalguns balcões dos nossos bancos. Aquilo exige paciência lunar. Um gajo tem de rezar para Deus dar mais alguns gramas de paciência porque se der força, a coisa pode descambar numa carnificina…

Não é que Bula-bula aportou pelas bandas do antigo líder tradicional M’phula ou Whampula para participar num “workshop” para aumentar a bagagem de conhecimentos científicos para um desempenho ainda melhor da profissão… a cidade continua “igual”, se descontarmos os novos edifícios ao longo da rua que sai da cidade em direcção a Monapo e Ilha de Moçambique. Aquilo são construções que não acabam…

Então – retomando o fio da meada – estando em Nampula, Bula-bula precisou de uns trocados; a solução foi ir a um banco milenar. Fila, senhas e outros jogos de paciência, lá entrou nas instalações do Internacional. Meia dúzia de pessoas queria ser atendida pelos “caixas”… calculadas as probabilidades, meia dúzia de pessoas pode ser atendida em, no máximo, uma hora…

Optimismos à parte, depois de uns minutos de espera, lá Bula-bula entregou à simpática funcionária o bilhete de identidade e o cheque. Depois de um olhar rápido pelo cheque e BI e outro ao cliente – no caso Bula-bula – uns rabiscos, uma consulta no computador, a simpatia humana disse: “aguarde um instante”. Acto contínuo, levantou-se e, sacolejando o corpinho, desapareceu por uma daquelas portas com códigos de acesso.

Uma hora passou… Bula-bula aproximou-se da simpatia e perguntou se havia problemas com o cheque, e ela, com voz cândida, disse: “desculpe, mas tem de aguentar um bocadinho”.

Mais uma hora de espera; mais uma aproximação ao balcão e, dessa vez, com cara de poucos amigos, para pedir a devolução do cheque e o bilhete de identidade. Uma vez mais, um rápido olhar e um “um momento”.

Mais uma hora… já sem paciência para mais nada, Bula-bula achegou-se ao balcão e deu um berro: “o cheque imediatamente na minha mão ou isto vai acabar mal”. Grito mágico: o cheque foi pago em menos tempo que se leva a acender um palito de fósforo…

O que aconteceu então para aquelas três infernais horas?

Ninguém soube explicar, mas pelos vistos a malta que frequenta aquele milenar banco ao lado da Rádio Moçambique na cidade de Nampula está já vacinada contra aquele tratamento de tal sorte que a referida dependência fica cheia e as pessoas ficam tranquilamente sentadas naqueles frios e nada cômodos bancos metálicos.

Na saída, o agente de segurança disparou em surdina que ali era sempre assim… que as pessoas já não reclamavam… mas, sinceramente, daquele jeito não dá nada, é que não é fácil ter paciência diante dos que a têm em excesso, mas aqueles ali… eish!

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