Aquele aeroporto, o de Maputo, tem histórias do arco-da-velha, ainda mais fantásticas e fantasiosas que aquelas outras, contadas por António Botto, acreditem. Não passam meses e, pelo aludido aeródromo, orgulhosamente internacional, ancoraram uns três palhaços disfarçados de comediantes, um português, um angolano e o outro brasileiro, tendo todos em comum o facto de terem fama xistosa, não o suficiente para terem convencido os austeros agentes da Migração, que lhes barraram a entrada, a contento e a cobertos da lei.
Mas esta e uma outra história, não de palhaços, mas de porcos que podem ter ludibriado os implacáveis agentes da polícia domiciliados no Aeroporto Internacional de Maputo, ao que tudo indica, para alimentar o seu vício pela cocaína. Bula-Bula, cujas narinas nunca experimentaram aquelas linhas de pó branco dispostas simetricamente numa superfície qualquer, ainda está para perceber como é aquelas focinheiras suínas conseguem inalar o estupefaciente.
Mas isso não vem ao talhe de foice de Bula-Bula, o que vem à nossa gadanha, ao nosso ancinho semanal, é a estória de como esta grulha porcina pode ter delineado esta trama digna de constar dos melhores argumentos para filmes, como aquele de Guy Ritchie que reuniu Jason Statham e Brad Pitt no memorável “Snatch – Porcos e Diamantes”.
A versão moçambicana começa quando a inteligência da nossa Polícia é alertada pela Interpol sobre uma mala, pretensamente de uma cidadã brasileira, portando 20 quilos de cocaína, que chegava a Maputo num voo bem determinado, companhia aérea devidamente identificada e horário provável de aterragem.
No dia, hora, minuto e segundo em causa lá estava a nossa Polícia em peso, alguns elementos da Interpol, todos ouriçados, espertos, à espera de interceptar mala e cangaceira. Bula-Bula não viu, mas dizem que alguns dos que ali estavam de atalaia, vigilantes e perspicazes, sem sequer pestanejar, não disfarçavam um esfregar de mãos, um esgar de alegria por sob os seus semblantes de austeridade policial. Leia mais…

