A cidade de Maputo anda numa azáfama que só. São obras por tudo quanto é cantinho, nada escapa à sanha dos intransigentes construtores. Bula-Bula acha que o dono da obra, o edil Rasaque Manhique, devia alugar uns tantos quartos em Sandton e mandar todos os habitantes de Maputo para lá, ficando assim com espaço para esgravatar e desmontar a sua metrópole.
Esta semana Bula-Bula foi tentar perceber estas obras de grande engenharia que têm o patrocínio do Banco Mundial. Depois de muitas horas de explicações para decifrar fórmulas, coeficientes de assimetrias e conversão de metros cúbicos de água, conseguimos entender que as ditas obras consistem em construir diques subterrâneos para a retenção da água das chuvas, que depois esperam pela maré baixa para serem despejadas para o oceano, deste modo evitando as recorrentes enchentes na baixa da cidade.
Bula-Bula acha que as obras são indispensáveis, mas também acha que algumas maçadas a que são submetidos os munícipes são dispensáveis e só revelam alguma falta de planeamento entre o empreiteiro e os engenheiros de tráfego do município. Não se compreende essa apetência para tudo fechar e tudo escavar ao mesmo tempo e momento; a “Karl Marx”, a “Vladimir Lenine”, a “Filipe Samuel Magaia” a “Guerra Popular”, todas estas avenidas que são acesso à baixa da cidade, a principal avenida do país, a “Eduardo Mondlane”, sem falar das limitações mais para a periferia, na “Joaquim Chissano”.
Afunilados, já sequer existe hora da ponta, os automobilistas exasperam- -se uns com os outros para ter acesso à passagem minguada que lhes é indicada, cheia de gravilhas que lhes danificam os pneus, esbravejam e insultam-se com vontade.
Nessas alturas, Bula-Bula confessa que ouve alguns nomes, direccionados ao edil, que se nega terminantemente a transcrever, por pudor e pela deferência que cultiva pelo afável Rasaque Manhique. Mas a verdade é que não percebe esta convergência de tudo querer fazer ao mesmo tempo. Bula-Bula não entende nada de engenharia, mas acha que se houvesse mais cuidado no planeamento do que fazer a cada dia da gigantesca obra, os munícipes teriam menos aborrecimentos e chatices. Também não percebe por que razão não se trabalha nos dias feriados e à noite. Leia mais…

