Bula Bula

Descentralização ou a teoria do buraco alheio

O país vive uma cena relativamente nova para o populacho; a famosa descentralização. Para nós, malta Zé Povinho, esse assunto diz respeito aos que estão lá em cima. Para nós, basta-nos o pão nosso de cada dia (que está uma piada dado que os panificadores reduziram o tamanho do bendito pão para metade, mas continuam a cobrar o mesmo preço)… dizem que é a vida!

Entretanto, há coisas que dão que pensar; não é que Bula-Bula – como a maioria do pessoal – vive num desses muitos bairros “suburbanos” de uma determinada capital provincial… até aí, nada a assinalar. Sucede que para ir trabalhar tem de “viajar” de um município para o outro… mas não se pense que os dois municípios estão distantes um do outro… nada disso… aquilo até parece que um gajo está a sair da sua casa para a do vizinho do lado.

O que espanta nisso tudo é que um dos lados – ainda que entre lamúrias e bufos – lá conseguiu remendar os buracos e crateras que preenchiam uma boa parte da via. Note-se que a via é a mesma. Tipo Av. Eduardo Mondlane que atravessa a zona da Polana, Bairro Central e termina no Alto Maé; portanto é a mesma estrada.

Entretanto, do outro lado – agora Bula-Bula já sabe que há um lado e há outro – da mesma estrada, nada foi feito. Os buracos estão lá e a crescer a toda velocidade; até parece que diariamente nasce uma nova cova. E com as chuvas que têm caído ultimamente, aquilo é um inferno na estrada.

A paz aludida na tal via só se for nos papéis porque a realidade ali é outra. Entre buzinadelas, solavancos, subidas e descidas, os carros (a chiarem feitos ferrolhos enferrujados) vão galgando aqueles buracos a um ritmo enervante, criando espaços para que os passageiros dos “chapas” e “my loves”, até aí silenciosos, comecem a manifestar-se.

E foi numa dessas manifestações que Bula-Bula ficou a saber que aquela situação caricata de buracos tapados a 50 metros daqueles destapados era culpa de uma coisa chamada descentralização; que agora cada um vê os seus problemas e tem de respeitar o espaço do outro… mais ou menos do tipo a minha liberdade termina onde começa a tua!

Sendo verdade e bom que cada um respeite o espaço alheio, para nós outros faz confusão que haja uma profusão de buracos na mesma estrada, que uns sejam tapados e outros não “porque a área de jurisdição de um termina precisamente ali a escassos metros de outros buracos”.

Coisas da descentralização autárquica que criam confusão… estando nós todos a viver no mesmo país! Mas, como sói dizer-se, cada macaco no seu galho ou mais exactamente cada município com os seus buracos.

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