Bula Bula

Conquistar um império mas não a glória

A história da humanidade está, infelizmente, cheia de pessoas que traíram as suas próprias pátrias. Exemplos abundam: Wang Jingwei, na década 30, bandeou-se para o inimigo fidalgal da China, o Japão.

Chegou a ocupar a província de Nanquim reivindicando a sua desvinculação do resto do país, dando razão a Henry Mencken que dizia que “nenhum homem merece uma confiança ilimitada – na melhor das hipóteses, a sua traição espera uma tentação suficiente.”

Mas o mais famoso traidor da história é bem capaz de ser o JUDAS ISCARIOTE. Ele não traiu simplesmente uma pátria, um partido ou uma ideologia. O mais famoso traidor da história é até hoje lembrado como o sujeito que deu uma rasteira no filho único do Todo-Poderoso. E pior: segundo a Bíblia, Judas entregou Jesus Cristo aos soldados romanos em troca de míseras 30 moedas de prata. Arrependido, o apóstolo tentou devolver o dinheiro e voltar atrás, mas já era tarde. Cristo foi crucificado.

Bula bulalembrou-se destas e outras figuras históricas – pelas piores razões, diga-se – muito por culpa das ameaças que andam no ar. A paz, duramente conquistada em Roma, está em perigo. Pior, a ideia da Unidade Nacional está sendo testada numa frigideira. As razões, ao que Bula bula vislumbra, têm a ver com a gula e a cobiça que as descobertas no norte do país despoletaram pelo mundo fora e intra-muros.

A verdade, se quisermos olhar bem, tem mesmo a ver com a riqueza, por um lado e, por outro, com o ódio visceral que uns e outros nutrem pelos partidos que libertaram os países africanos do jugo colonial. São estes apelidados de duros e demasiado nacionalistas para entregarem o ouro ao bandido. A campanha em curso no país – incluindo a propalada divisão do país em dois pedaços – enquadra-se dentro desta estratégia de dividir para reinar. Para os mais cépticos, Bula bula sugere queestudem a história do Ruanda para verem o que é que acontece quando os homens se deixam manipular por forças externas!

A chamada maldição da riqueza é um facto. Todos os países em vias de desenvolvimento que descobriram petróleo foram visitados pelo “fantasma” da guerra e da desestabilização interna. Líbia, Iraque, Nigéria estão ai para comprovar a tese. Também são a prova de que as revoluções quando não são genuínas acabam sempre mal. Os sudaneses querem acabar com a divisão criada artificialmente e voltarem a ser uma única nação.

Aqui no nosso país, também já há movimentos da sociedade civil que se levantam contra a propalada divisão do país. Bula bula está curioso para saber como vai terminar o plano de colocar cancelas no Save… um plano velho e cansado que nem um disco de vinil depois de tanto uso!

O que é dado assente é que se os moçambicanos não abrirem os olhos, os antigos colonos podem voltar a ditar regras. Dividir o país ao meio ou em fatias – a lembrar uma pizza – parece algo caricato… mas não é. De resto, como dizia Maquiavel, não se pode chamar de "valor" assassinar seus cidadãos, trair seus amigos, faltar a palavra dada, ser desapiedado, não ter religião. Essas atitudes podem levar à conquista de um império, mas não à glória.

P.S. Um perdigoto grasnou no ouvido do Bula bula que as passagens aéreas para os deputados da Renamo embarcarem para Maputo já foram emitidas e expedidas para as províncias. Amesma ave diz que a expectativa é grande entre os eleitos, alguns visivelmente ansiosos em aquecer as cadeiras da “Casa do Povo”. Os bilhetes já existem… mau grado não terem sido expedidos sem a mola de Janeiro!

Foto de Carlos Uqueio

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