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A mão que dá está sempre acima da que recebe…

Por Jornal domingo

Esta coisa de futebóis tem muito que se lhe diga, entre as coisas boas, como os golos espectaculares do Geny Catamo, aos quais Bula-Bula se curva em profunda reverência, e outras menos boas, do tipo de interferir ostensivamente na harmonia conjugal de um homem que tem a responsabilidade de administrar um país, mas ainda tem que lhe sobrar a hercúlea tarefa de gerir duas dilectas esposas, Marie Khone e Absa Faye, tal é o caso de Bassirou Diomaye Faye, Presidente do Senegal.

Tudo porque o Comité de Apelação da CAF decidiu retirar o título de Campeão Africano ao Senegal, dando provimento à reclamação do Marrocos, com base na aplicação do Artigo 84 do Regulamento da competição.

Sobre os gestos malcriados, de maus perdedores, tanto dos jogadores quanto dos adeptos marroquinos, alguns a roçarem a manifestações racistas, nada diz o tal conclave de Patrick Motsepe. Bula-Bula acha que o futebol precisa de deixar de controlar os seus ímpetos, as suas emoções, e deixar que elas se manifestem até ao limite aceitável.

Sobre o jogo propriamente dito, é desagradável ter que esperar pelo VAR, sigla inglesa para “Video Assistant Referee”, para festejar um daqueles golos monumentais, de outra galáxia, como diz o Castro Jorge, ou estar no limbo por longos minutos à espera que o homem dos monitores, e das infalíveis tecnologias, diga se houve mão na bola ou bola na mão.

A verdade é que o futebol está a virar uma laracha, estão a retirar-lhe a emoção, o sentimento, daqui a mais um pouco deixa de ser o ópio do povo para se tornar numa gigantesca montra de dúvidas, onde a verdade desportiva precisa de ser determinada pela tecnologia ou, como neste caso, porque “A posteriori” se determinou que os exuberantes festejos de um povo, e de um presidente com duas mulheres, devem ser considerados sem efeito.

Bula-Bula gostaria de saber como se anula aquela zoada imensa pelas ruas de Dakar e por todas as outras cidades senegalesas, africanas e até europeias. Os conclaves do futebol mundial, geralmente compostos por pessoas que nunca chutaram uma bola, devem parar para reflectir sobre os seus combos legislativos, aqueles decretos que estão a matar a vibração de um jogo e a burocratizar a emoção, que é de todo negra, como disse um dia Léopold Sédar Senghor.

Bula-Bula acha que os senegaleses têm razão para estar desapontados com a CAF, sobretudo as esposas de Bassirou Diomaye Faye, Marie e Absa, que ficaram tão entusiasmadas com o troféu que ainda são capazes de se negar a restituir aos seus novos donos, o Rei Mohammed VI e a Princesa Lalla Salma. Não faz mal, neste caso aplica-se bem o adágio árabe que diz “a mão que dá está sempre acima da que recebe”. Entreguem-lhes a taça e as medalhas, porque a vossa mão, dos senegaleses e de todos os apaniguados como Bula-Bula, estará sempre em cima…

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