O Parlamento aprovou na generalidade o seu orçamento para o próximo ano, apesar de menos generoso, por conseguinte, mais modesto que o de 2025. São menos dois mil milhões que o anterior, mas os deputados sequer de importaram, não refilaram, tal é o costume dos que se abancam na parte mais visível da oposição.
Os gastos, não tão minuciosos, estão calculados em 3.192,036.018 Meticais, o equivalente a 50 milhões de Dólares. Bula-Bula, que tem memória de elefante, recorda-se que o anterior quase chegava aos seis, cifrando-nos nos 5,7 mil milhões de Meticais, e apesar de este último apresentar um défice de 900 milhões, a verdade é que, desta feita, parece ficar evidente alguma moderação dos deputados.
Ou não?
Bula-Bula desconfia que não, até porque não é a primeira vez que tal acontece, que o hemiciclo se abraça inteiro, esquecendo ideologias diametralmente opostas, e aprova por unanimidade e aclamação regalias, salários, mordomias e até subsídios de reinserção, como se o facto de passarem uma temporada na Assembleia da República alguma vez tivesse requerido a sua desinserção.
Em relação a este orçamento, Bula-Bula confessa que quase chorava de emoção quando ouviu o líder parlamentar do Podemos, o deputado Ivandro Massingue, a afirmar que “este plano de orçamento para as actividades da Assembleia da República vai melhorar a qualidade das nossas actividades e dar dignidade a todos os colaboradores desta Magna Casa”.
É claro que vai, senhor deputado! Bula-Bula agora quer ver o que vai dizer, este mesmo deputado, quando tiver que opinar sobre o PESOE-2026 esta semana, se vai achar exagerado o que o Governo tem destinado para a Educação e a Saúde e propor que seja dali que se cubram os 900 milhões do défice da AR; ou se em vez do líder parlamentar desta feita teremos o próprio Hélder Mendonça em pessoa e exteriorizar as suas imensas dúvidas cartesianas.
Da última vez que o ouvimos, duvidava dos dados da Primeira-Ministra, Benvinda Levi, sobre os raptos, a ponto de termos ficado com a impressão de que o homem queria andar de cativeiro em cativeiro para conferir raptados e seus algozes. Nesta empreitada, pode ser que a cartesiana dúvida o faça rodar pelas 250 residências de outras tantos ilustres deputados para conferir a dignidade dos mesmos…(x)

