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SHEILA PERINA, PESQUISADORA: O português é profundamente influenciado pelas línguas bantu no Brasil

Por Carol Banze

É pedagoga e doutora em Educação. Formada pela Universidade de São Paulo no Brasil, desde a graduação tem-se interessado pelo campo da educação e da linguagem. Chama-se Sheila Perina, que em entrevista ao domingo fala das influências africanas no Português falado no Brasil, tema desenvolvido numa das suas pesquisas.

Uma das conclusões refere que, no português falado naquele país, “a influência perceptível das línguas bantu está na musicalidade da fala. Frequentemente ouvimos dizer que os brasileiros ‘falam cantando’. Isso devese, em parte, ao ritmo sonoro que segue o padrão silábico das línguas bantu”. Para si, trilhar por estes caminhos da investigação é celebrar “o nosso jeito preto de falar”.

De onde parte a ideia de realizar a pesquisa sobre as influências africanas no português falado no Brasil? 

Ainda durante a licenciatura, no período em que cursava Pedagogia no Brasil, no ano de 2014, realizei um intercâmbio académico na Universidade Lueji A’nkonde, em Angola. O objectivo inicial era assistir às aulas e desenvolver uma pesquisa sobre os processos de alfabetização no contexto angolano. No entanto, por conta do adoecimento da professora da turma que eu acompanharia, acabei assumindo o papel de docente de uma turma da primeira classe, composta maioritariamente por crianças falantes da língua Cokwe. O cenário era desafiador e, ao mesmo tempo, profundamente revelador: as crianças tinham como língua materna o Cokwe, o manual didáctico era escrito em português europeu, e eu, professora em formação, falava o português na variedade brasileira. Essa experiência, marcada pela ausência da língua materna das crianças no espaço escolar, sensibilizou-me profundamente e despertou em mim um interesse particular pela temática do ensino de línguas em contextos multilingues. De volta ao Brasil, concluí a minha pesquisa com foco no contexto angolano. Mais tarde, ainda ainda na licenciatura, inscrevi-me num edital para dar continuidade a essa investigação em outro país. Fui seleccionada e escolhi Moçambique. Em 2016, vim estudar por um semestre na Universidade Pedagógica de Moçambique. Durante esse período, passei a debruçar-me sobre as dinâmicas do ensino de línguas no contexto moçambicano, aprofundando e expandindo o percurso de pesquisa que havia iniciado em Angola. Leia mais…

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