TEXTO DE NEYMA DE JESUS
Descalços. Com máscaras que imitam animais silvestres no rosto; vestidos de roupas exóticas, feitas de uma mistura de trapos, pele de animais, pena de aves, fibras ou ainda com pintura corporal até a ponta dos pés.
Em fila, dão passos bestiais, em direcção ao estrado, e fazem sons que os ouvidos tipicamente humanos não percebem. Dançam. Pisam a areia com uma força que extrapola a capacidade de um ser-humano normal. Bailam aos círculos, dão cambalhotas, jogam-se no chão, levantam poeira.
Alguns usam ferramentas como catanas, o que torna a apresentação mais excêntrica. Outros, no nível mais alto de adrenalina, fazem-se com cobras gigantes ao pescoço e, depois, lançam-nas à terra, despertando um misto de medo, agitação, curiosidade e atracção dos espectadores.
Assim se caracterizaram os bailarinos do nyau, uma dança tradicional da origem dos chewa, predominante na província de Tete, concretamente nos distritos de Chiúta, Macanga, Chifunde, Maravia, Zumbu, Tsangano e um pouco de Moatize.
É carregada de espiritualidade, mistérios e rituais para lá de bizarros. A começar pela indumentária que, segundo o líder da tradição nyau, Gulewankulu, Carlos Faustino, ou simplesmente Yaphiri, são produzidas nas matas e tem como matéria- -prima roupas de defuntos. Leia mais…

