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NGOMA: Tradição e retrato da vida rústica

Por Jornal domingo

O ngoma, dos ngunis, chegou a Moçambique vindo da África do Sul, passando pelo Malawi, e estabeleceu-se em Angónia, na província de Tete. A dança reflecte a história migratória do grupo e preserva costumes herdados dos antepassados.

Segundo Helena Jale, líder do grupo, os dançarinos utilizam trajes confeccionados com peles de animais caçados, penas de aves, os adereços são feitos com missangas coloridas, cabaças de frutas silvestres cordas, paus, linhas de saco, entre outros, o que simboliza as práticas tradicionais e a relação com a caça e a vida rústica. “Quando eles vinham para Moçambique, era para caçar e levar as peles para usar, porque não tinham calças nem outro tipo de roupa, e essa é a nossa cultura”, disse.

O ngoma é praticado por todas as idades, desde crianças a partir de cinco anos até adultos. Os passos são simples, limitados a movimentos para frente, para trás e giros, sincronizados com batuques e cânticos tradicionais que possuem função educativa e social, transmitindo mensagens sobre pagamento de impostos, visitas a líderes e manutenção da paz na comunidade.

A dança é versátil e ocorre em diversos contextos: casamentos,funerais, festas e colheitas. Além disso, possui função de protecção espiritual, sendo utilizada para afastar espíritos malignos ou doenças atribuídas a influências espirituais.

Helena Jale afirma que a dança não tem conflito com práticas religiosas, tanto que “há eventos que a igreja católica nos convida para dançar”. Actualmente, os grupos de ngoma dedicam-se a transmitir a tradição cultural às novas gerações.

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