O Ministro de Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá lançou, hoje, no campus da Universidade Pedagógica de Maputo, o livro “Repensar o Desenvolvimento Económico e o Papel do Estado: Dilemas, Desafios e Tendências”, que reúne reflexões produzidas entre 2021 e 2024.
Trata-se de uma obra que contou com a participação do Presidente da República, Daniel Chapo, que destacou o Governo toma decisões que os moçambicanos vão perceber o seu alcance tendo em vista ao desenvolvimento inclusivo e sustentável.
Por sua vez, o autor explicou que o livro resulta de um conjunto de inquietações pessoais e profissionais, marcadas por “interrogações, preocupações e inconformismo” em relação à realidade do país.
Destacou que a obra também traduz convicções e crenças sobre os caminhos possíveis para o desenvolvimento de Moçambique.
Na sua intervenção, o autor destacou seis ideias centrais, que designou de “nervuras”, utilizadas como base para a análise apresentada no livro.
A primeira aponta que o crescimento económico sem diversificação, inclusão e transformação estrutural pode criar apenas uma “ilusão estatística”, sem gerar desenvolvimento real.
A segunda “nervura” enfatiza a importância de um Estado forte, com capacidade institucional, empreendedor e meritocrática, como condição essencial para a implementação eficaz de estratégias de desenvolvimento.
“Sem um Estado com estas características, qualquer estratégia pode ficar apenas no papel”, referiu.
Valá sublinhou ainda que a principal vantagem competitiva de Moçambique não reside nos recursos naturais, mas sim na “inteligência criativa do povo”, defendendo investimentos estratégicos nas pessoas como caminho para o progresso sustentável.
Numa quarta linha de reflexão, destacou o papel central da educação, inovação, tecnologia e juventude na construção de um futuro próspero, sobretudo num contexto global cada vez mais baseado no conhecimento.
Já a quinta “nervura” prende-se com a necessidade de o país desenvolver instrumentos adequados para financiar a sua transformação económica. O autor reconheceu avanços recentes, como a criação de mecanismos de financiamento, mas alertou para a importância de melhorar não apenas a oferta, mas também a qualidade da procura de serviços financeiros, com foco na capacitação e governação das empresas.
Por fim, defendeu que a qualidade das instituições é determinante para o desenvolvimento económico, sendo estas fundamentais para superar limitações na execução de políticas, coordenação e acesso equitativo às oportunidades.
Na ocasião, Valá referiu ainda que Moçambique, à semelhança de outros países, vive um contexto de incerteza, onde muitos cidadãos percebem o processo de desenvolvimento como lento e desafiante.
Ainda assim, destacou a resiliência histórica do país e a necessidade de reformas profundas, políticas adequadas e quadros competentes para impulsionar o progresso.

