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José Craveirinha para além do tempo!

Na história da Literatura Moçambicana, o dia 28 de Maio é uma data excepcional porque, nessa data, em 1922, nascia um bebé que se notabilizaria no mundo da escrita como jornalista, escritor e comunicador bem como nacionalista e combatente.

Galardoado com o Prémio Camões, em 1991, colaborou com os jornais “O Brado Africano”, “Notícias”, “Tribuna”, “Notícias da Tarde”, “Voz de Moçambique” e “Voz de África”.

“Um iconoclasta impenitente, pertence ao clube restrito dos eleitos, dos verdadeiros artífices do verbo. Burilando a palavra, surpreende permanentemente pelo inusitado das combinações, pela irreverência das imagens, pela subversão das lógicas, pela invenção de uma outra maneira de estar na e com a linguagem”, escreveu o académico Almiro Lobo, quando o poeta-mor perdeu a vida.

José Craveirinha produziu uma extensa obra literária e que, no entender do professor Francisco Noa, devia ser eternizada, sugerindo a digitalização do seu trabalho.

Foi um poeta que passou o tempo a ler, que devorava livros deitado no quarto, que folheava acima de cinco publicações ao mesmo tempo e que escrevia à noite, de madrugada, segundo o seu filho, Zeca Craveirinha. Mas nem tudo foi mil maravilhas. Em 2001 circulou uma notícia que dava conta de que o poeta queria mudar de nacionalidade. Augusto Carvalho, na altura jornalista deste semanário, visitou o poeta.

“Até tu acreditas nisso?”, questionou Craveirinha. “Mudar de nacionalidade para quê? Eu até vivo relativamente melhor”, detalhou, tendo acrescentado que até negou que o corpo do seu pai fosse transladado para Portugal. “Não seria eu com essa idade (79 anos na altura) que requereria mudar de nacionalidade”, detalhou.

Quando passam 100 anos do seu nascimento, o país e o mundo curvam-se para celebrar a vinda ao mundo de um poeta que, longe da escrita, encontrou o sentido da vida, lutando pelo bem-estar do outro. Leia mais…

Texto de Frederico Jamisse e Pretilério Matsinhe

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