TEXTO DE NEYMA DE JESUS
Numa determinada época da sua carreira, o actor brasileiro Expedito Araujo percebeu que precisava de novos desafios e novos lugares dentro do fazer teatral. Pouco tempo depois, surgiu a oportunidade de fazer consultoria sobre a importância da cultura no desenvolvimento de um país, em Timor-Leste.
Aventurou-se, então, para a Ásia. Estando lá, uma amiga do Médicos Sem Fronteiras (MSF), instalada em Moçambique, que conhecia a trajectória dele, que inclui a pedagogia teatral e o lado social, convidou-o a conhecer o orfanato onde trabalhava em Maputo.
Veio para a cidade das Acácias e permaneceu 15 dias num orfanato a dar aulas de teatro e ali “encontrei no grupo dos 14 aos 17 anos uma potência muito grande, e eles amaram fazer aulas de teatro. Aí pedi a coordenação para ter um trabalho mais intensivo com eles”. Com efeito, montaram um espectáculo de Bertolt Brecht e em menos de duas semanas levantaram a peça “Aquele que diz sim, aquele que diz não”.
Conta que eram jovens que, embora em condições críticas, tinham ganância pela vida e força de vontade. “Tocou-me muito, era um mundo que eu não conhecia, uma realidade muito nova, eu aprendi muito com eles”, consequentemente,“saí dali com uma sensação de encantamento muito grande, que poucas vezes tinha sentido na minha vida”, declara.
Voltou para o Brasil apaixonado pela experiência que viveu em Moçambique. Resolveu então tirar um ano sabático. Sua ideia inicial era fazer trabalho voluntário por um mês em cada país do continente africano. Entretanto, “ao chegar a Maputo, já sem vínculo com nenhuma instituição, o encantamento foi em 100%”, pois dessa vez “pude conhecer de verdade a cultura moçambicana”, explica. Leia mais…

