Muitos perguntam se ainda existem bons alunos. Bem, domingo pensa que encontrou a resposta a essa questão. E arrisca-se a dizer…sim, existem. A prova foi encontrada na Escola Secundária de Laulane, na cidade de Maputo, onde um grupo de alunos apresentou, de forma esplêndida, um conjunto de poemas, músicas e danças tradicionais em homenagem à cantora brasileira Maria Bethânia.
A cerimónia teve lugar
na segunda-feira (dia
10) durante a visita de
Bethânia àquela escola.
Duas meninas estudantes,
nomeadamente Alda Cavel e
Albertina Zandamenla, fazendo o
papel de mestres de cerimónia,
subiram ao palco para anunciar
a presença da brasileira e dar início
à homenagem.
Falando tranquilamente,
chamaram ao palco o escritor
moçambicano Calane da Silva e
a actriz Cândida Bila, para recitarem
o poema intitulado "Hoyo-
-Hoyo". Era uma forma de dar as
boas-vindas a Maria Bethânia.
De seguida, as mestres de
cerimónia convidaram alguns
colegas seus para declamarem mais poemas. Eram textos de
Maria Bethânia, Sónia Sultuane e
José Craveirinha. Recitaram-nos
de forma agradável. Saía-lhes
tudo da alma. Foi um verdadeiro
"show".
Adiante, subiram ao palco
mais talentos. Tocavam e cantavam,
para além de brindar os presentes
com algumas danças tradicionais.
Os outros alunos, aqueles
que estavam do lado do público,
ah… aplaudiam fortemente e assobiaram
"maningue". Animou.
Os estudantes de "Laulene"
não deixaram a desejar. Os presentes?!…
ovacionaram, bastante.
Nem Bethânia resistiu. Aliás,
impossível era ignorar as electrizantes
apresentações. Os meninos,
cujas idades variam entre 15
e 17 anos de idade, mostraram a
todos que já bebem das artes e
da sua importância na escola.
Por ali, a arte, em particular a
literatura, tem um lugar de destaque.
Não é considerada uma
parte difícil do processo do ensino.
Também não é tratada de forma
superficial. É vista de forma
lúdica e catártica, daí o interesse
dos alunos. E o brilho nas suas
apresentações.
Num outro momento, foi
convidado ao palco o renomado
músico moçambicano Roberto
Chitsondzo que brindou os presentes
com dois temas. O primeiro
foi “Dondza”, o qual cantou
com alunos. Foi mágico. Logo depois
interpretou o “hino” Vana Va
Ndota", do penúltimo álbum dos
Ghorwane. Também encantou.
A nossa Reportagem conversou
com Alda Cavel, de 17
anos, aluna da 12.ª classe. Disse
que foi emocionante fazer parte
daquela homenagem. “Correu
tudo bem graças ao apoio dos
professores, Calane da Silva e
de Cândida Bila. Ensaiamos na
presença deles durante três
semanas”.
Acrescentou ainda que “fiquei
feliz por a nossa escola
ter sido eleita para receber
uma figura de tamanha dimensão.
Representamos Moçambique,
África e até o mundo.
Isso é honroso. Para além de
mostrar que estamos a evoluir”.
Albertina Zandamela, 17
anos, também frequenta a 12.ª
classe. Descreveu aquela experiência
como tendo sido boa,
honrosa e única. Agradeceu
igualmente a confiança a si e aos colegas atribuída para representar
não só a sua escola como
também o ensino secundário
no geral. “Sinto que conseguimos
retribuir a confiança que
depositaram em nós. Os períodos
de ensaios nem sempre
foram fáceis mas no fim foi
maravilhoso”, afirmou.
Já Lurdes Samuel, 16 anos,
estudante da 11.ª Classe, conta
que foi uma nova experiência,
muito boa, recitar e cantar para
todos os presentes apesar do
friozinho na barriga. "Tínhamos
o foco de brilhar e representar
bem, conseguimos. Valeu
a pena a severidade de Calane
e Cândida. Isso ajudou-nos
bastante. E, claro, também
agradecemos os professores
daqui que nos têm ensinado
que a literatura.
Homenagem marcante
– Maria Bethânia, artista brasileira
Falando em exclusivo ao domingo, após o
término da cerimónia, Maria Bethânia revelou
que foi uma honra receber uma homenagem
daquela dimensão e feita por alunos.
"Além de admirar profundamente o trabalho
apresentado, o privilégio é ser convidada
para ser homenageada por estes alunos
e professores. Estou muito feliz. É uma
atitude marcante", disse.
Acrescentou ainda que "estou mais feliz
por ter visitado esta escola devido à
natureza do meu programa televisivo, estreado
há uns meses no Brasil, intitulado
“Poesia e Prosa com Bethânia”, no qual
recebo convidados do universo académico
e musical para resgatar a arte de
declamar poesia. Então, ver estes alunos
que se iniciam na literatura brilharem…
foi fantástico".
Pela primeira vez em Moçambique, Bethânia
recomendou ainda que se continue a fazer
da escola um jardim e cada aluno uma flor,
para que assim esta instituição cresça e crie
grandes pensadores.
Refira-se que Maria Bethânia foi convidada
para participar num documentário no qual
vai contar a sua relação com os escritores
da língua portuguesa. A produção do mesmo
conta com a direcção de Mónica Monteiro,
directora executiva da Cine Group, uma empresa
brasileira.
Nascida em Santo Amaro, Bahia, Maria
Bethânia Viana Teles Veloso, também conhecida
como Abelha Rainha, 70 anos, já foi eleita
a 5.ª maior voz da música brasileira pela
revista Rolling Stone Brasil.
Maria de Lurdes Cossa

