Elvira Viegas completa este ano 50 anos de carreira. A celebração será marcada pela realização de um concerto musical para partilha de memórias e reencontros entre gerações, a 29 de Agosto próximo, no Centro Cultural Moçambique- -China, em Maputo.
domingo entrevistou esta artista cuja voz atravessa diferentes momentos histórico-artísticos na nosusa praça. Viegas relata, de forma descontraída, experiências e vivências.
Acompanhe.
Fale-nos um pouco do seu percurso criativo. Como costuma trabalhar os temas?
Às vezes penso em ronga, outras em português. Quando falta vocabulário, procuro os mais velhos para traduzir. No tema U nga Naveli Swa Vambeni, comecei em português porque não encontrei a terminologia certa no início. Os meus pais enquanto vivos, eram os meus tradutores… a mamã Nelly, que é a mãe do Luís Bernardo Honwana, também costumava dar-me as palavras certas na nossa língua. Infelizmente essas minhas bibliotecas se foram, mas vou tentando da minha forma.

A sua música tem uma mensagem educativa, mas também muito poética….
Sempre gostei de ler poesia e escrever. Em tempos, publiquei poemas no jornal domingo e na revista Charrua. Continuo a escrever, só que ainda não tive força para editar um livro. Já estive a escrever em prosa, mas arrumei nas gavetas.
Essas gavetas nunca vão se abrir?
Vamos ver. Agora, com a reforma, já tenho mais tempo para sentar. Estou no Kutenga, que é um lugar calmo…
Algumas músicas suas nasceram desses textos?
Sim. Alguns desses temas que hoje canto estavam lá em português. E também já cantei poemas do Mia Couto, do José Craveirinha, do Jorge Rebelo… e de outros que ainda estão na forja…. Roubei, sim. Roubei os poemas (risos).
É também uma forma de unir a literatura e a música.
Exactamente. E acho que os mais jovens deviam fazer isso. Ler. Porque se fores ouvir as músicas de amor de hoje… é tudo igual. Só muda o sítio onde colocas a frase. O conteúdo é o mesmo. Leia mais…

