TEXTO DE REGINA NAETE
São peças feitas de cores vivas, estampas vibrantes e desenhos geométricos ou figurativos que representam a identidade africana. Mas, mais do que um pedaço de tecido colorido, as peças de mucume ni vemba – tecidos de capulana – carregam e transmitem histórias que geram encanto e enaltecem o valor dos africanos, em geral, e moçambicanos, em particular.
Esse tipo de tecido, que se tornou um verdadeiro símbolo da cultura local, chegou ao continente africano em meados do século X, no âmbito das trocas comerciais entre árabes persas e povos que viviam ao longo do litoral de Moçambique, inicialmente como moeda de troca entre essa gente. Facto curioso é que apenas os monarcas a usavam como símbolo de representação de poder.
ELEMENTO CRUCIAL NA TRADIÇÃO
Na zona Sul do país, o tecido de capulana é um elemento crucial na tradição. Comummente usada em forma de mucume ni vemba, carrega um grande símbolo e significado na realização da cerimónia tradicional denominada lobolo – casamento tradicional. As peças funcionam como atributo de herança, respeito e transição para a maturidade feminina. Destacam o crescimento da mulher para a fase adulta, capacidade de gestão do lar e identidade cultural.
O mucume é uma peça que envolve tecido correspondente a duas ou mais capulanas, uma renda no centro. Já a vemba é outra peça do mesmo estilo que faz parte do conjunto. Esta, por sua vez, pode ser colocada sobre o ombro, enquanto o mucume é amarrado à volta da cintura e estende-se até aos pés, em formato de uma saia.
Ao domingo, Maria Manhiça, anciã de 74 anos, aficcionada pelo conjunto, explicou que o mucume ni vemba são peças primordiais para a realização da cerimónia de lobolo, isto porque “demonstra quem somos e de onde viemos, a nossa história e tradição. Nenhum lobolo é realizado sem que se tenha comprado estas duas peças”, contou. Leia mais…


