“Pestanejar é ver a luz da escuridão”, é como se intitula o livro da autoria de César Nacuo lançado quinta-feira passada, em Nampula, cujo o objectivo é despertar a sociedade moçambicana sobre a necessidade de resgatarem os nossos valores culturais.
Ao longo do livro, constituído por 112 páginas, divididas em pouco mais de vinte capítulos, o autor mostra que é preciso sermos fortes e proteger com “garras” a cultura moçambicana para evitar que as realidades culturais de outras paragens se sobreponham à nossa.
Em conversa com domingo, César Nacuo afirmou que a nossa sociedade está em alta velocidade na procura do que não sabe e foge da sua cara. “Estamos a perder os nossos valores. Repare que os grupos culturais estão a enfraquecer. Ensaiam quando sabem que se avizinham os festivais, para não falar das mensagens que estão descontinuadas, pois aclamam a produção de culturas agrícolas do tempo de colonização e esquecem-se das nossas vitórias actuais. Ou seja, nos últimos tempos a cultura é evocada para ganhos económicos e comerciais, estão a leiloar-se ante ganhos eminentemente culturais”, disse.
Adiante, Nacuo convidou ao Ministério da Cultura e Turismo a fazer uma auscultação séria com base no passado, pois o passado nem sempre é saudosismo e nem sempre leva à vida primitiva. Sendo importante a sua existência, uma vez que pode recordar a sequência dos números.
Segundo o autor, a obra mereceu o título “Pestanejar é ver a luz da escuridão” devido à multa que a natureza nos aplicou como seres vivos, especialmente humanos, com o raro privilégio de fazer uma sociedade untada de histórias vistas, algumas deixadas escapar, talvez porque nessa altura o olho estava fechado.
“O olho também deve saber fechar para não ver tudo incluindo o vergonhoso, e saber abrir para não perder o que acontece de atraente cá fora. Daí que vale a pena pestanejar provando essa luz da escuridão, mesmo que instantânea”, salientou o autor.
Num outro diapasão, o autor destacou que está satisfeito com a divulgação da sua primeira obra, prefaciada pela rainha de Angónia Inkosi Ya Makosi, pois é como se tivesse pago uma dívida à sociedade moçambicana.
César Nacuo nasceu a 3 de Fevereiro de 1975, em Camuana, distrito de Nipepe, província do Niassa. Porém, meses depois, juntamente com sua família, passou a viver para Méti, distrito de Lalaua, em Nampula.
É jornalista do Instituto de Comunicação Social desde 2002. Em 2011 foi vencedor do Prémio Ambiental para Jornalistas, 1.ª edição, promovido pelo MICOA, tendo ganho na categoria de Melhor Reportagem Televisiva.

