Artes & Letras

Carlitos Gove rebusca ritmos tradicionais

Numa era em que a globalização domina muitos dos ritmos musicais dos discos, o baixista Carlitos Gove, julgou pertinente fazer a aposta nestes e incorporá-los

no seu primeiro disco intituladoMassone, lançado recentemente em Maputo. Massone significa em língua Chope em frente.

Massonecomporta onze faixas musicais. Baseado nos ritmos tradicionais, pode-se ouvir no disco composições cantadas em língua Chope, Changana, Inglês, Português, numa combinação de vozes de Majescoral, Yolanda Cacana, Sheila Jesuita, Filó, Muzila. O disco produzido  por Carlos Gove e gravado na Bantu Produções foi misturado por Sacres e masterizado por Zé Pires.

Inharrime; Dança da minha terra; The system; Sons do Gil; Wubemba; Speed; Marrabenta Groove; Noites de Chamanculo; Fena party; Saculele; Hoyo Hoyo, são os títulos das canções do disco Massone.

Massoneconta com a participação especial de Moreira Chonguiça, Mingas, Muzila, Samito Matsinhe, Jorge Domingos, Orlando Venhereque, Ta Basily, Ras Haitrim, Thapelo- da África do Sul, o timbileiro Cheny Wa Gune.

Nota de destaque em Massone é a valorização  da arte de declamar em línguas locais, aparecendo o trovador Alvim Cossa a fazer Xitokozelo (declamação) na faixa número três, The System. Aliás,   maior parte das letras escritas por Carlos Gove rebuscam dizeres populares através de provérbios, tornando o disco num veículo de ensino. Há igualmente mensagens de aconselhamento para que a juventude olhe para o futuro sem precipitações, como é o caso da mensagem em Wubemba. Nota positiva do disco é a aposta na capa que aprazível cria apetência para a aquisição do disco, um elemento de marketing por vezes descurado por outros músicos.

Despido de egoísmo, Carlos Gove aglutina no seu disco, um naipe de executores moçambicanos de todas as idades e todos os tempos. É desta feita que há espaço para o guitarrista João Domingos, Dodó, Bernardo Domingos. Há espaço para o saxofonista Moreira Chonguiça, Orlando Venhereque, Muzila. Há a exaltação da escondida voz trovante do baterista Paíto Tcheco que, na música Noites de Chamanculo, é confundido com Manu Dibangu por causa da tonalidade da sua voz.

Timbila, Tufo, Ngalanga, Xigubo, Makara, Marrabenta são algumas coreografias cujos ritmos perfazem as onze faixas.

Carlos Gove começou sua carreira musical há mais de vinte e cinco anos. Primeiro fez parte de Os Surpreendentes, banda de Inharrime. Veio a capital e integrou os Ghorwane com Pedro Langa, Roberto Chitsondzo e David Macuacua. Fez uma aventura para um grupo de jazz, Nondje que tem um disco no prelo.  Também trabalhou em projectos dentro e fora do país, com destaque para Peter Gabriel. Tocou em vários países- França, Zimbabwe. África do Sul, Checoslováquia, entre outros.

Falando sobre o disco, Carlos Gove disse: “ O disco é resultado do trabalho que fui acumulando ao longo dos anos. Passei por várias experiências e, obviamente o disco poderá conter algumas semelhanças mas diferentes na sua abordagem, o que por si irá marcar diferença. Trago um pouco do que foi me caracterizando ao longo destes anos. E quis reflectir no disco a minha vivência cultural. Agradeço muito os patrocinadores pela abertura demonstrada e apoio”.

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