Artes & Letras

A cultura como árbitro social

Se você pode andar, você pode dançar.

Se você pode falar, você pode cantar – Provérbio africano

Ser. Cogitar. Estar. Viver. Pensar em cultura causa, invariavelmente, uma estranha preocupação em assimilar a diversidade dos caminhos que conduziram os relacionamentos da humanidade com o presente e como irá ser o futuro. A cultura passa por muitas metamorfoses com o passar do tempo, e essa mutação fica registada fortemente na história de uma sociedade.  

Subsistem muitas diferenças nos grupos sociais do mundo inteiro e é a cultura que uni esse agrupamento humano, que expressa cada ponto, que atesta a característica de um lugar, de um povo.

A cultura diz respeito a humanidade em geral e ao mesmo tempo individualiza cada povo, grupo, nação, sociedade. Existe uma grande variação da cultura se levarmos em consideração as minuciosidades que existem ou existiam e essa variedade é que provoca a discussão em relação ao conhecimento contido em cada uma delas. A realidade de uma cultura local tem sua lógica interna, costumes, concepções e as transfigurações existentes.

Exemplo das transformações ocorridas na cultura é o conceito de família que mudou. Antes só era considerada família aquela que integrava pai, mãe, filhos, etc., ou seja, a tradicional imagem de família. Hoje podemos ver famílias com dois pais, duas mães. Essas mudanças na cultura trazem, apesar de ainda não ter sido extinto, ajuda a manter o respeito e conservar a dignidade nas relações sociais.

O pai dos estudos das relações sociais, da apropriação dos conhecimentos pelo senso comum. Serge Moscovic,  na sua obra “La psychanalyse, son image, son public” – afirmou que a absorção da ciência pelo senso comum não é, como geralmente se defendia, uma vulgarização do saber científico mas, ao contrário, trata-se de um grupo de conhecimento adaptado a outras necessidades, obedecendo a outros critérios contextos específicos.

Cada sociedade ou grupo humano formou-se a partir de uma cultura ou união delas e qualquer tentativa de uniformizar as culturas humanas ou até coloca-las num eixo com etapas foram frustradas ao longo da história.

Quando se pensa sobre cultura de uma sociedade em particular verifica-se que há muitos pontos em comum entre culturas de sociedades diferentes. Constitui-se a diversidade cultural de maneiras diferentes de viver, cujas razões podem ser estudadas contribuindo dessa forma para eliminar preconceitos socioculturais das quais pessoas ou grupos são vítimas.

A cultura ou conhecimento cultural faz parte do nosso dia- a- dia, ou seja, formando e trazendo informação e conhecimento. Exemplos abundam mas tomemos, o Festival Nacional da Cultura, realizado em Sofala, e o Concerto dos Kool and the Gang, realizado em Maputo. Mexeram com várias sensibilidades, agregaram gerações e, porquê não, geraram vários negócios “paralelos”. No Festival de Sofala, a Feira de Gastronomia (injustiça grande por nem sempre ser considerada cultura), foi uma das mais visitadas. Todos os dias, milhares de pessoas aportavam à Casa dos Bicos para degustarem das iguarias e trocarem ideias.

Já no caso do Concerto dos Kool and the Gang, fora a música, a ocasião proporcionou o cruzamento de várias sensibilidades e “culturas”; para além dos nados nesta pérola do Índico, outras tantas centenas de pessoas de outros quadrantes participaram do show. Houve espaço para vários tipos de negócios. A cultura, uma vez mais, mostrou a sua importância e força mobilizadora… afinal parte do espectáculo decorreu debaixo da chuva mas ninguém arredou pé!

Só mesmo um evento cultural teria “energia” bastante para agregar tantas pessoas de “culturas” díspares. Sabemos das nossas dificuldades. Sabemos das lutas diárias, muitas vezes, por uma côdea de pão mas – até nisso há algum de cultural – não perdemos, como parte integrante deste grande conjunto humano, a nossa alegria, a vontade de viver e, mais importante, de sonhar sempre com algo melhor.

A solução cultural é a melhor arma de que dispomos para combater os graves problemas socioeconómicos de nosso país, pois ela interfere na auto-estima de maneira surpreendente, atribuindo valor, identidade, disciplina e motivação para mudar. A cultura proporciona prazer em ser, fazer e pertencer!

Belmiro Adamugy

belmiro.adamugy@gmail.com

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