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Votei certo e não recebi dinheiro e carro de ninguém- Jura Mariza

A presidente da Associação de Provincial de Futebol da Zambézia (APFZ), Mariza do Rosário, diz que nas eleições da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) que deram vitória a Alberto Simango Jr. votou para o bem da Zambézia e que o voltaria a fazer se fosse necessário.

Não está arrependida em ter votado num candidato que não ganhou, porque cumpriu com o mandato dos clubes da província, depois de uma concertação, apesar de depois ter havido dirigentes que atraídos pelo dinheiro foram dizendo coisas descabidas na imprensa, até de que ela tinha fugido da província e do país e que depois das eleições seria expulsa da associação.

“As pessoas devem ser escravas das suas palavras. Eu não tomei decisão individual. Houve concertação dos clubes e cabia a mim ir a Maputo votar no melhor candidato da província, podendo ou não ganhar. De um momento para o outro comecei a ouvir através de determinados órgãos de comunicação social, que afinal estavam a serviço de um candidato, de que eu iria ser expulsa da associação, caso não obedecesse a vontade dos clubes. Só que, enganavam-se ao pensar que eu era trabalhador da associação, onde caso fosse expulsa ficaria sem emprego. Eu trabalho na Tipografia Lusa, de que é dono António Barros. Diz-se tudo de mim. Eu não admito chantagem. Me tirem da associação quando quiserem. Estou no primeiro ano do segundo mandato”, atira Mariza, em entrevista ao domingo na cidade de Quelimane.

“Espero que algumas pessoas não se arrependam pelo que fizeram. Eu continuo a falar com todos, porque estou consciente que o meu voto era para o bem da Zambézia. Não recebi quinhentas de ninguém. E ninguém me pode apontar dedo. Ouvi que os outros foram dados quinhentos mil meticais e carrinha, cada um” refere.

Onde há suborno, há corrupção. Onde há corrupção, há corruptos e corruptores. Disto Mariza não tem dúvidas. O que até hoje não tem certeza é o que aconteceu na noite que antecedeu as últimas eleições da FMF, quando ela e poucos outros se encontravam a dormir.

“Não duvido que haja corrupção no futebol. O que eu não sei é o que aconteceu na noite anterior às eleições da FMF. Uma vez comprado, ninguém mais te vai considerar. Ficas uma pessoa vulnerável e sem dignidade para sempre. Homem sem confiança. A palavra deve ter mais peso que dinheiro. Vai agora perguntar aqueles colegas que terão recebido dinheiro, se ainda o têm.”

Para Mariza do Rosário, Moçambique ainda precisa de lutar para ter no desporto dirigentes sérios. Acha que existe tanta gente coberta de futebol a dizer que é desportista, quando na verdade procura dividendos individuais no desporto.

“O país precisa de ter como dirigentes desportivos gente que gosta do desporto. Há pára-quedistas que dizem que gostam do futebol, mas não gostam do desporto. Uma pessoa não pode acordar e dizer que quero ser presidente ou secretário-geral do clube, da associação ou da federação. Está claro que muitos que enchem os elencos federativos são indivíduos que no desporto procuram visibilidade para dividendos individuais”, realça.

Devolver Zambézia ao Moçambola

De uma só vez, a província da Zambézia perdeu os dois lugares que ocupava no Moçambola com a despromoção do Ferroviário de Quelimane e do 1º de Maio da mesma cidade. Foi um terramoto que ninguém esperava. Chorar não vai resolver nada. Há que haver trabalho e mais trabalho para que em 2017 a grande Zambézia volte à maior prova futebolística de Moçambique.

A esperança agora é ver concretizada a promessa do presidente da Liga Moçambicana de Futebol, Ananias Couana, de alargar o número de clubes participantes no campeonato nacional de 14 para 16. Enquanto tal não se confirma, Mariza do Rosário convida os zambezianos a concentrarem-se no trabalho.

Respondendo a pergunta se o futebol zambeziano está caminhando para frente ou para trás, a presidente da associação provincial de futebol, começa por dizer que “ o nosso desporto está a andar para traz no sentido de que perdemos duas equipas do Moçambola. Não sabemos o que vai acontecer.”

No entanto, considera que o movimento futebolístico está a crescer, alegando que ªo nosso campeonato este ano vai ser renhido. Vai entrar o distrito de Alto Molócue. O distrito de Mocuba que este ano não participou no “provincial” por causa das cheias, no próximo ano far-se-á representar por duas equipas, Ferroviário de Mocuba e Associação Desportiva de Mocuba. O distrito de Morrumbala ainda não se pronunciou mas contamos com a sua participação. E são certas as presenças dos distritos de Namacurra, Alto-Molócué e Guruè, este último com um clube altamente organizado.”

A Zambézia, tal como outras províncias, carece de desporto federado nos distritos. O futebol, que é o desporto praticável em todos eles, não passa do recreativo. E é desse recreativo que saem equipas para os campeonatos provinciais donde saem participantes da poule de apuramento para o Moçambola.

 “Na verdade não temos distritais de futebol federado. O que existe são associações de futebol recreativo nos quais temos delegados. A ideia era de cada distrito realizar prova interna de apuramento ao “provincial” mas por várias razões não acontece.”

São varias as dificuldades que as províncias enfrentam para a realização das actividades desportivas, sobretudo por não contarem com fundos daquilo que o Estado define de Fundo de Promoção Desportiva, que mais beneficia às direcções das federações nacionais que ao desporto em geral. No grupo das dificuldades, Mariza do Rosário aponta a aquisição de material e a falta de infra-estruturas como as bicudas.

“O que está mais difícil é a aquisição de material desportivo e infra-estruturas. Temos o campo do Ferroviário de Quelimane e do Sporting, este mais para espectáculos musicais que para o futebol. Aquilo que havia sido concebido como campo municipal virou centro de barracas. Há projecto de reabilitação do campo de Mocuba, Migres Pires, pela FIFA. Dizem que o projecto foi para FIFA e está a ser traduzido, isso desde Agosto…”

Mesmo com tais dificuldades de difícil superação, a nossa entrevistada garante que “vamos batalhar para voltarmos ao Moçambola. Temos condições humanas. Há províncias piores que a nossa. Tive sorte de ter sempre governadores e directores da Juventude e Desporto de cinco estrelas. Tenho colegas que passam mal nas suas províncias.”

E que diz sobre a arbitragem? “Há dois meses realizamos curso básico de arbitragem. Temos feito capacitações regulares. Normalmente os cursantes são alunos da Universidade Pedagógica, que depois são afectos noutras províncias. Que fazer?!…”

Daqui a três anos Mariza do Rosário vai deixar a APFZ, quando completar dois mandatos. Em jeito de balanço adiantado, perguntamo-la o que mais gosta no futebol, ao que respondeu dizendo “é o convívio que tenho com todos os desportistas. Sou conhecida por quase todas as pessoas. Na rua e nos mercados sou perguntado sobre a participação da Zambézia no Moçambola.”

Manuel Meque

malembalemba@gmail.com

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