
-Salimo Abdula sublinha que o sector económico empresarial será um dos pilares do Brasil no âmbito da presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
A liderança moçambicana na Confederação Económica da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CECPLP) teve um papel decisivo no dinamismo imposto por Timor-Leste que na hora da passagem de testemunho para o Brasil, no âmbito da presidência rotativa da CPLP, viu como ganho o reconhecimento de que o sector económico-empresarial será um pilar da nova chefia.
Na hora de balanço, quais foram as principais realizações da CE-CPLP em 2016?
Tivemos várias realizações em diferentes espaços da CPLP desde actividades empresariais, que eram encontros de negócios bito-bis, fóruns de negócio, sempre no espírito de sensibilizar a sociedade, os Estados, da necessidade de olharmos para uma comunidade económica em que os empresários podem ser um grande activo da CPLP.
Tiveram ganhos?
Sim, há poucas semanas colhemos frutos desse esforço, dessa dedicação, quando ouvimos pronunciamentos no Brasil de dirigentes de alguns países, incluindo chefes de Governo, dizer, finalmente, que a livre circulação de pessoas tem de acontecer, e que o sector económico e empresarial passa a ser um pilar da CPLP. Até há pouco não era assim.
E o que é que isso representa?
Para nós é o corolário. É o momento mais elevado do trabalho que temos vindo a fazer. Estamos também focados no reforço institucional. Tivemos de reestruturar a nossa instituição de modo que ela seja menos onerosa mas mais objectiva. Estamos focados também num sistema de apoios em alto sourcingcom entidades profissionais que vão apoiar especificamente as partes legais, dossiês económicos, objectivos a atingir, networking, tudo isso de forma a criarmos um ambiente propício para que a envolvência nesta parceria entre o sector privado e os Estados da CPLP seja em harmonia e profícua.
Como?
Elevando o standard de vida das pessoas desta comunidade. Criando melhores possibilidades de negócios, porque é com o somatório das empresas da CPLP a crescer que o somatório da riqueza dos Estados também aumenta. A nossa comunidade, não obstante ainda não consolidada, já representa mais ou menos quatro por cento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
CONQUISTANDO
MAIS COMUNIDADES
Significa que…
É desta forma conjunta, com visão comum, que podemos atingir os nossos objectivos. No dia 19 de Dezembro teremos a última reunião da Direcção em Cabo Verde. Já a assembleia geral, que vai aprovar o plano de actividades e orçamentais para 2017, na segunda semana de Dezembro, terá lugar em Portugal. E começámos a abrir antenas e escritórios representativos fora da comunidade. Já temos um na Itália e brevemente vamos abrir outro na França, porque nos interessa fazer ligação com outras comunidades. E digo mais.
Por exemplo?
Este ano tivemos um convite muito específico da Bloomberg(uma empresa de tecnologia e dados para o mercado financeiro e agência de notícias operacional em todo o mundo com sede em Nova Iorque), em Londres, onde apresentámos aquilo que é a visão específica da CE-CPLP. A exposição da Confederação a nível internacional passou a ser mais visível. Agora estamos de malas aviadas para a Alemanha, onde a convite da Sociedade Alemã para os Estados Africanos de Língua Portuguesa (DASP) vou apresentar a visão da Confederação ao mundo, isto é, as oportunidades e desafios existentes para o sector empresarial nos países africanos de língua portuguesa e a CPLP.
Como é que as várias câmaras nacionais da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, entre outras, olham para a
CE-CPLP?
Estamos todos muito unidos em volta desta causa. Temos sentido uma presença massiva dos dirigentes de todos os países. Aliás, todos os países têm acento na Confederação. Têm uma vice-presidência. O reconhecimento da CE-CPLP na passada Cimeira de Chefes de Estado no Brasil entusiasmou a todos e mostrou que vale a pena continuar a trabalhar. A CPLP é uma comunidade de nove países em quatro continentes.
Como é que a classe empresarial moçambicana se posiciona nesta dinâmica de negócio e “know how”?
Moçambique deve-se socorrer das capacidades tecnológicas, em primeiro lugar, dos países falantes do português. Como já temos referenciado, a língua é um activo que representa sete por cento no custo das Pequenas e Médias Empresas (PME).
Nós ainda não temos capacidade de sozinhos explorar os nossos recursos. Hoje, se calhar, já temos alguns quadros experientes em Angola, Cabo Verde, Brasil e Portugal. Isso vai-nos permitir processar rapidamente as oportunidades de negócio que vão surgindo em Moçambique seja na área de recursos minerais, turismo, energia, infra-estruturas, etc., etc.
Mas…
Temos emitido sinais muito fortes de que é preciso abrir a livre circulação de pessoas e bens e, de seguida, os complementos necessários para que se efective a integração da comunidade para que não apenas empresários, mas também o próprio cidadão da CPLP se possa sentir parte activa deste processo. Todos os nossos países estão num processo de desenvolvimento e devemos aproveitar este activo porque a CPLP tem activos para num período de 20 anos mais ou menos se tornar numa das comunidades líder deste globo. Um dos órgãos da Confederação, a União dos Exportadores, tem estado a interagir com as PME. Fruto dessa colaboração, estão a surgir em todos os nossos países muitos negócios que paulatinamente vão crescendo.
Como é que as empresas desta comunidade se podem posicionar no mercado mundial?
As empresas começam a unir ideias para se posicionar na conquista do mercado global em vários sectores a começar pelo agro-alimentar, onde os nossos países têm as melhores reservas de terra do planeta. Este processo bola de neve vai atirar-nos para a condição de maiores produtores e fornecedores de alimentos neste planeta que vai crescendo com a classe média e precisa de se alimentar cada vez mais e melhor.
Com a actual crise financeira como é que a Confederação é vista pelos empresários?
Empresários são pessoas, há uns com mais cepticismo e outros com uma dinâmica diferente, onde as grandes crises são as grandes oportunidades para refrescarmos as nossas máquinas de trabalho. Penso que, acima de tudo, esta grande crise, sobretudo nos PALOP, é o momento em que devemos usar as nossas energias para aumentar a impedância da produção nacional, porque é nas crises que somos obrigados a ter iniciativas, a inovar e transferir tecnologias que possam trazer valor acrescentado às nossas economias.

