Comemora-se a 1 de Dezembro o Dia Mundial de Combate à Sida, num momento em que a sociedade moçambicana vem envidando esforços para travar os índices de prevalência. Com efeito, líderes religiosos de diferentes congregações religiosas pretendem, por sua vez, usar a sua autoridade moral para maior intervenção na prevenção e combate ao HIV-Sida no país.
Este sentimento foi exposto
recentemente
em Maputo aquando
da cerimónia de lançamento
do Manual de
Metodologia Save, um instrumento
didáctico para o reforço
dos programas de prevenção
do HIV-Sida, um evento levado
a cabo pela Rede Moçambicana
de Líderes Religiosos vivendo
com ou afectados por HIV-Sida
(MONERELA).
Para além do lançamento do
manual, o evento, que contou
com a presença de várias congregações
religiosas, visava a
interacção e debate em torno
de estratégias para maior intervenção
dos diferentes líderes
religiosos nesta luta, pois “às
lideranças religiosas é reconhecida
a autoridade moral e
a capacidade de mobilização
através da transmissão de
mensagens didácticas”, disse
o coordenador do movimento,
Jeremias Langa Júnior.
Interagindo com os presentes,
o coordenador do Movimento
religioso acrescentou
que a confiança que a comunidade
religiosa tem para com
as entidades religiosas faz com
que eles sejam o alvo preferencial
para esta iniciativa. “Quando
falamos da Igreja não nos
referimos aos edifícios, mas
sim às pessoas. Por isso
qualquer mudança não poderia
acontecer sem envolver
indivíduos”, disse.
Entretanto, lamentou o facto
de o factor financeiro continuar
a ser um dos obstáculos
que enfrentam na realização
destas actividades, quando se
pretende desenvolver diferentes
acções de activismo.
No encontro, os líderes religiosos
mostraram a sua preocupação
com a classe adolescente
e jovem. “Outro dia, fui
abordada por duas jovens
que me falaram do seu estado
serológico e pediam que
as aconselhasse, pois tinham
muitos receios de contar
aos familiares. Aconselhei-
-as, mas depois tivemos de
criar um encontro com os
pais, pois não era admissível
esconder isso deles”, disse
uma das líderes religiosas presentes.
Ao longo das intervenções,
César Mufaniquiço, activista do
Movimento Para o Acesso ao
Tratamento em Moçambique
(MATRAM), fez referência à génese
do acesso universal ao tratamento
no país, isto é, acesso
de todos os grupos sociais e
sexuais no país. Mais adiante,
lamentou o facto de o serviço
de tratamento domiciliário
ter sido extinto. “Hoje alguns
grupos de apoio e adesão
comunitária (GAACS) trabalham
nas unidades sanitárias
e já não fazem o atendimento
domiciliário, um serviço que
fazia toda a diferença”, salientou
o activista.
Ainda no âmbito do activismo
na área do HIV-Sida,
domingo conversou com diferentes
líderes religiosos que
deixaram ficar o seu sentimento
em relação a esta matéria.
Apoiamos 12 crentes
vivendo com o HIV
– Débora Mabunda, Igreja Zione Trono de David
Débora Mabunda referiu que a sua congregação já está
há alguns anos a realizar acções de activismo na luta contra
esta pandemia.
“Temos neste momento 12 crentes vivendo com o
vírus do HIV e apoiamo-los materialmente com produtos
alimentares”, explicou. Revelou ainda que para além
do apoio material aos crentes vivendo positivamente, a igreja
tem realizado acções de sensibilização. “Também reservamos
trinta minutos das nossas missas para falar do
HIV-Sida e da importância de se fazer o teste”, contou
a pastora, que mais adiante acrescentou que quando algum
crente tem uma preocupação pontual que queira partilhar
em particular é encaminhado ao aconselhamento.
Divulgar a
abstinência sexual
até ao matrimónio
– Pérola Manhique, Igreja do Nazareno
Para Pérola Manhique, líder religiosa da Igreja do Nazareno,
a lei de Deus é contra a prática sexual fora do casamento.
Entretanto, este princípio divino deve ser protegido.
“O papel da igreja é de disseminar esta pandemia.
Contudo, quando lemos a bíblia vemos que Deus não
concorda com isto porque a prática do sexo fora do
casamento ou antes do pré-nupcial é contra os princípios
de Deus. Daí que devemos divulgar a abstinência
para que seja quebrada somente no matrimónio”, disse
Pérola Manhique.
Devemos implementar
o que aprendemos
– Reverendo Jonas Lote, da Igreja do Nazareno
Para o Reverendo Jonas Lote, o mais importante é ver
materializados todos os ensinamentos absorvidos nas formações
transmitindo-os não só nas igrejas como também
nos meios sociais. “Muitas vezes participamos em seminários
onde nos são transmitidos conhecimentos, mas
saídos de lá não chegamos a implementá-los. Devemos
ser activistas não só na igreja, mas também em casa e
nas nossas comunidades”, sublinhou.
Jonas Lote manifestou igualmente o desejo de um dia
ver todas as instituições religiosas envolvidas na luta contra
este mal, pois nem todas realizam acções de activismo
nesta área.
Texto de Luísa Jorge
luisa.jorge@snoticicas.co.mz

