Início » Que não fosse como em 1992(3)

Que não fosse como em 1992(3)

Por admin

O livro que ainda estamos a ler foi escrito (lembrem-se) por quem, em determinada altura, fez parte da equipa empresarial que adquiriu o Hotel Cardoso, em Maputo. O que nos conta é, por isso e mais uma vez, de todo sério e verdadeiro:

A influência italiana no processo pré-eleitoral, depois do acordo de Roma, foi considerável, não só através da Comunidade de Sant´Egídio, mas oficialmente, através do governo italiano e do seu serviço diplomático. Estavam preparados para intermediar e ouvir pedidos fora do vulgar para garantir que a paz prevalecesse.

Para o autor, a Itália tinha assumido o papel de potência colonial, assegurando que o “novo” (aspas nossas” Estado pudesse estabelecer a sua democracia. A Itália, entrou, por assim dizer, onde Portugal falhou em preencher o vazio.

Apesar disto a Renamo ainda não tinha acomodação em Maputo. A União Europeia estava temporariamente sem representante na capital moçambicana e assim a casa que lhe tinha sido atribuída estava vaga. Como o embaixador da Itália, o elegante Incisa Di Camerana, era o decano entre os diplomatas e de longe o mais flexível, o autor do livro sugeriu que a casa da UE fosse disponibilizada.

Numa semana já se tinha o acordo. John Hewlett informou a Vicente Ululu (quadro sénior da Renamo já falecido), que o seu chefe (Afonso Dhlakama) tinha um sítio condigno para viver. Ao mesmo tempo descobriu-se que a casa do embaixador da Jugoslávia também estava vaga e como já aquele país não existia, ficou-se com a casa para o próprio Ululu, como secretário-geral da Renamo.

Raul Domingos encontrou alojamento numa casa da embaixada da Itália, na Avenida Keneth Kaunda, ao lado da casa do embaixador transalpino. Tudo o que se precisava a seguir era um local para ficarem 250 quadros da Renamo. Era um problema muito mais complicado.

Começaram a chegar mais contingentes das Nações Unidas. O batalhão italiano foi mandado para a província de Manica onde não tardaram a surgir escândalos entre raparigas locais. A principal tarefa era a recolha de armas, mas o acesso às áreas significava conduzir por estradas que tinham sido minadas.

Aldo Ajello pediu à divisão das Nações Unidas ligada a operações com minas para falar com o autor deste livro sobre a desminagem. John Hewlett voou para os Estados Unidos da América e fez contratos para remover as minas. Era óbvio que se precisava, então, de uma equipa de desminagem. Uff! Vamos prosseguir, nas próximas edições, com estes textos que falam do que não gostaríamos que desta vez “ não fosse como em 1992”.

Pedro Nacuo
nacuo49nacuo@gmail.com

Você pode também gostar de:

Propriedade da Sociedade do Notícias, SA

Direcção, Redacção e Oficinas Rua Joe Slovo, 55 • C. Postal 327

Capa da semana