
A falta de água potável que assola quase toda cidade portuária de Nacala, província de Nampula, está a agudizar-se e a deixar os moradores desesperados, porque os custos do precioso líquido tendem a aumentar.
O problema causado pela falta de água na cidade de Nacala é antigo. Quando foi reabilitada a Barragem de Nacala, no vizinho distrito de Nacala-à-Velha, pensava-se que seria o fim do sofrimento daquelas comunidades.
Tudo não passou de pura ilusão, pois aquele empreendimento fornece apenas 7200 metros cúbicos, o correspondente a 40 por cento da quantidade consumida diariamente naquela autarquia.
Deste modo, nos últimos tempos a água virou um negócio para alguns munícipes que construíram depósitos nos seus quintais, outros compraram tanques plásticos e alugam camiões-cisterna que buscam água nos rios Mpaco e Mutuze, identificados pelas autoridades locais para abastecerem a cidade. Acabam revendendo o precioso líquido por 5 a 10 meticais por cada lata ou um bidão de 20 litros.
A situação está a levar ao desespero os munícipes, sobretudo senhoras e crianças que vivem nos bairros da zona alta da cidade, pois quando amanhece, primeiro imaginam a distância que vão percorrer para adquirir o precioso líquido.
A procura é tão grande, o que obriga as pessoas a comprarem água do poço por três meticais cada lata ou bidão de 20 litros.
A nossa equipa de Reportagem foi ao rio Mutuze, onde constatou que existe muita água que, entretanto, se perde em grandes quantidades.
Apurámos no local que em três pontos seria colocada tubagem para drenarem água para a cidade, o que não se efectivou. A água jorra nos mesmos pontos e espalha-se ao redor. É muita água que se perde.
FALTA DE CAPACIDADE
O director distrital do FIPAG, em Nacala-Porto, Agostinho Dava, disse que as infra-estruturas existentes naquele ponto da província de Nampula têm a capacidade de produzir cerca de18 mil metros cúbicos, por dia.
As mesmas são antigas e só conseguem alimentar a zona baixa daquela cidade, ficando a zona alta sem nada. Para alimentar todo o município seriam necessários pelo menos 35 mil metros cúbicos.
Dava revelou que os bairros mais afectados são Bloco I, Triangulo, Ontupaia e Mathapue.
A situação é mais complicada porque o número de consumidores aumenta diariamente, com o surgimento de novos projectos, empresas, entre várias actividades de rendimento que mobilizam mais pessoas de outras partes da província.
O director desdramatiza a situação, sublinhando que houve um período em que a crise foi mais constrangedora. Apontou que nessa altura foi necessária a criação duma parceria entre o FIPAG e o município local, e as autoridades montaram tanques plásticos em zonas estratégicas, aonde os munícipes se deslocavam para adquiri-la. Os depósitos eram abastecidos através de camiões-cisterna.
De referir que mais de 60 por cento de distribuição de água em Nacala Porto são assegurados por furos e 40 pela Barragem de Nacala.
“Problema com dias contados”
O director do FIPAG em Nacala, Agostinho Dava, referiu que a falta de água na cidade de Nacala tem os dias contados, pois terminou, recentemente, o processo de melhoramento da rede de distribuição, designado projecto 110 km.
Actualmente, as equipas envolvidas estão a testar a nova rede. Em consonância com este projecto, foram construídos 13 novos furos na cidade, que serão equipados com electrobombas, linha de transporte e equipamento de medição.
Segundo Dava, ainda neste mês vão arrancar as obras de construção da linha de transporte de água de Mpaco e Mutuze, de oito e seis quilómetros, respectivamente. Trata-se de duas linhas que vão transportar água para o centro de distribuição.
Acrescentou que brevemente vão iniciar as obras de construção de um centro distribuidor, um reservatório de dois mil metros cúbicos no bairro de Matapue, que vai receber a água que sairá dos rios Mpaco e Mutuze.
No mesmo local será erguida uma torre elevada de 250 metros cúbicos e uma estação de bombagem, a qual servirá para bombear a água para a torre e deste ponto para os bairros residenciais Ontupaia, Matapue e Triângulo.
A medida visa fazer face à falta de água nos bairros da zona alta daquele município.
“O projecto vai melhorar o sistema de abastecimento na cidade, pois na zona central a rede existente é antiga e está associada a perdas. As obras do centro já iniciaram e já foi feito estudo do solo”,disse.
Contrato cancelado
O empreiteiro que devia reabilitar a Barragem de Nacala não conseguiu cumprir os prazos acordados com o patrocinador da obra, a norte-americana Millennium Challenge Account (MCA).
O empreiteiro conseguiu apenas garantir a ampliação da barragem, faltou intervir na conduta que alimenta a cidade portuária de Nacala, correspondente a 30 km, assim como a colocação duma nova conduta para o distrito de Nacala-à-Velha.
A nossa Reportagem apurou que depois de o empreiteiro não ter honrado os compromissos a MCA, patrocinadora da obra, decidiu cancelar o contrato, e não foi procurado outro, alegadamente porque a organização estava a terminar a sua acção em Moçambique.
A situação tornou-se mais sombria porque não se sabe se o projecto poderá ser concluído. No entanto, neste momento, há informações segundo as quais não há fundos suficientes para suportar a parte que falta.
A conduta que transporta água para a cidade de Nacala é de 200 milímetros, considerada pequena para transportar a quantidade necessária para satisfazer a demanda, segundo apurou o domingo.
Aliás, quando o projecto foi elaborado tinha sido concebida a colocação de uma conduta de 750 milímetros e a construção de quatro estações de reservatório e previa-se o bombeamento de 23 mil metros cúbicos de água por dia para os dois pontos, nomeadamente Nacala-Porto e Nacala-a-Velha.
Texto de Abibo Selemane
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