Os deputados Elísio Muaquina e José Manteigas acham que andar de “chapa” é desprestigiante, é deslustrar aqueles que merecem lustro, porque os egrégios “filhos do povo” devem ser tratados com muita delicadeza, apaparicados, coisa que não existe no “chapa”, onde abundam os boçais, aqueles abrutalhados, entre os quais trabalhadores rústicos, que procuram levar uma côdea de pão para casa, uma que seja.
Por ironia, alguns dos transportados nos ditos “chapas”, asselvajados pela luta quotidiana da sobrevivência, deles e dos seus, podem ter sido responsáveis pela eleição de Elísio Muaquina e José Manteigas para deputados. Bula-Bula, que por vezes anda de “chapa” e não desdenha, acha que os eleitores de um e de outro deviam recorrer à Comissão Nacional de Eleições para elegerem outros deputados, estes com mais respeito pelos seus votantes.
Por falar em regalias para os deputados, Bula-Bula não resiste a contar a história de um pastor, dessas muitas igrejas que pululam pelo Brasil, que ficou indignado com os seus fiéis, que se negavam a contribuir para a compra de uma avioneta nova para o seu sacerdote.
“Não é para passear com a família, gente, é uma ferramenta de trabalho, de envangelização” – garantia o malandro, e para tornar mais conveniente a substituição da aeronave, ainda acrescentava – “Aquela avioneta qualquer dia ainda cai. Já está em uso faz cinco anos, pessoal.”
Ora, que caísse e que Deus perdoasse a Bula-Bula por isso desejar.
Antes de voltar aos nossos dois deputados, aqueles que querem limusines como “ferramentas de trabalho”, para serem usadas para auscultar os problemas do seu eleitorado, alguns dos quais andam no tal “chapa” desdenhado por ambos, Bula-Bula recordou-se de ter lido em algum sítio que havia um Parlamento, num país escandinavo, onde os deputados eram alojados em internatos, lavavam a própria roupa e deslocavam- -se para as sessões parlamentares de bicicleta. Leia mais…


