TEXTO DE MAFALDA LIGELA
Pelo menos 70 famílias estão em situação de vulnerabilidade, na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, em consequência das chuvas que se registam desde o último sábado, que voltaram a inundar a zona baixa da urbe.
Segundo constatámos, as chuvas provocaram concentração de água nos quintais e no interior de algumas residências, o que tem dificultado a vida das famílias afectadas.
Avigília Tovela, uma das residentes, conta que a água inundou completamente o quintal da sua casa, impossibilitando a realização de actividades básicas do dia-a-dia.“Estamos a sofrer muito. A água está em todo o quintal e já não temos onde fazer lareira. Estou a pensar em voltar para a casa de familiares porque a situação está difícil”, disse.
A moradora explicou ainda que, durante as cheias dos anos anteriores, algumas famílias foram reassentadas em zonas consideradas seguras, mas ela não foi abrangida pelo processo por se considerar que o seu terreno tinha condições mínimas.
Outra residente, Argentina Duvane, contou que desde o início das chuvas, a situação tornou-se cada vez mais complicada, com o chão permanentemente coberto de água.
“Estamos a viver praticamente dentro da água. Não temos botas e isso pode prejudicar a nossa saúde. As crianças para irem à escola temos de carregá-las ao colo ou levar o uniforme na pasta, para vestirem quando já estiverem na escola”, relatou, acrescentando que a família já perdeu vários bens.
Por sua vez, Rivaldo Carlos explicou que a sua residência já tinha ficado seca após o período das cheias, mas as chuvas recentes voltaram a inundar a zona.“Essa chuva veio relembrar o dilema vivido durante as cheias. Caminhamos sobre a água e já temos feridas nos pés. Se tivesse um terreno numa zona alta abandonaria tudo aqui, porque este não é um local próprio para habitação”, lamentou.
O líder comunitário da cidade de Xai-Xai, Mário Mavaieie, disse que a situação actual faz recordar o período das cheias, uma vez que várias residências voltaram a ficar submersas.
Segundo explicou, um dos principais problemas está relacionado com o assoreamento das valas de drenagem, o que impede a circulação normal da água para o rio Nguluzane.
“Grande parte da água da cidade acaba por ir para as residências porque as valas estão assoreadas. Já reportámos a situação ao Conselho Municipal, mas lá disseram-me que não tem equipamento adequado para a limpeza. Havia uma máquina que iniciou os trabalhos, mas acabou por enterrar”, afirmou.
Mavaieie acrescentou que mais de 85 por cento da população chegou a receber talhões em zonas seguras após as cheias dos anos anteriores, porém, muitos beneficiários venderam os terrenos.
Defende, por isso, que o município, em coordenação com as autoridades locais, deve realizar um levantamento e penalizar os cidadãos que venderam os talhões atribuídos para reassentamento.


