Moçambique tem estado, nos últimos anos, a destacar- -se na transição energética, através da crescente procura dos minerais críticos no mercado internacional. Para o efeito, a empresa Altona Rate Earths, interessada em explorar minérios no Monte Muambe Mining (MMM), na província de Tete, celebrou, semana passada, em Maputo, um acordo financeiro com a Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos da América (USTDA, na sigla em inglês), no valor de 1,875 milhões de Dólares, para viabilizar a extracção de terras raras naquela região.
Este acordo acontece num contexto em que a transição energética e digital está a acelerar a procura global por minerais críticos, para a produção de baterias de veículos eléctricos, motorizadas, telemóveis, energia limpa, tecnologia avançada, entre outras infra-estruturas digitais. Esta cooperação visa promover as prioridades estratégicas de ambos os países, reforçando a segurança da cadeia de abastecimento dos EUA, e ao mesmo tempo apoiar o objectivo de Moçambique de se tornar um interveniente importante no mercado global de minerais críticos.
Segundo o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Câmara de Minas de Moçambique (CMM), Edson Matches, quando uma empresa como a Altona recebe apoio de uma agência como a USTDA, obriga a que toda a cadeia de valor, desde os sub-contratantes locais até à logística, elevem os seus padrões de eficiência e conformidade. “Isto é, não se trata apenas de extrair minério, mas de criar uma acção integrada onde empresas locais aprendem a operar sob padrões ambientais, sociais e de governação globais”.
Ainda de acordo com o gestor, o mercado global tem uma “fome voraz” por terras raras para impulsionar a transição energética, e o país poderá ocupar um lugar de destaque na mesa global de decisões sobre estas “commodities”. “Não se deve olhar para Monte Muambe Mining como uma simples ‘mina’, mas como uma peça fundamental na estratégia em volta da nossa independência económica. A CMM quer motivar os demais stakeholders para que Moçambique não seja apenas um exportador de matéria-prima bruta, mas também um actor soberano na transição energética mundial”. Leia mais…


