Home Destaque APONTA ESTUDO: Extensões têm substâncias associadas a cancro

APONTA ESTUDO: Extensões têm substâncias associadas a cancro

Por Jornal domingo

Um dos levantamentos mais abrangentes já feitos sobre a composição química de extensões de cabelo identificou dezenas de substâncias perigosas nesses produtos, incluindo compostos associados a cancro, desregulação hormonal, problemas no desenvolvimento e impactos no sistema imunológico.

O estudo foi conduzido pelo “Silent Spring Institute” e publicado na revista científica “Environment & Health, da American Chemical Society”. Os resultados reforçam preocupações crescentes sobre os riscos à saúde de uma categoria de produtos pouco regulada, mas amplamente utilizada, especialmente por mulheres negras.

O QUE O ESTUDO ANALISOU

Para a pesquisa, a equipa liderada pela cientista Elissia Franklin adquiriu 43 produtos populares de extensões de cabelo, comprados tanto pela internet quanto em lojas especializadas. As amostras incluíam extensões feitas de materiais sintéticos, em geral derivados de plásticos, e também produtos biológicos, como cabelo humano, fibras de banana e seda.

Os pesquisadores também analisaram as alegações feitas pelos fabricantes. Entre os produtos sintéticos, havia extensões anunciadas como resistentes ao fogo, ao calor ou à água. Outras apresentavam-se como “não tóxicas” ou “mais seguras” para o consumidor.

Segundo os autores, esses tratamentos químicos são usados para aumentar a durabilidade do material, reduzir o risco de inflamabilidade e facilitar o uso de calor durante a modelagem. Combinando métodos avançados de laboratório, a equipa detectou mais de 900 sinais químicos nas amostras analisadas.

A partir desse rastreamento, foi possível identificar 169 substâncias diferentes, agrupadas em nove grandes classes químicas. Entre elas estavam compostos usados para reduzir a inflamabilidade dos fios, aumentar a flexibilidade dos materiais plásticos ou preservar o produto. Muitos desses químicos já foram associados, em estudos anteriores, a alterações hormonais, irritação da pele, efeitos no desenvolvimento, impactos no sistema imunológico e cancro.

domingo ouviu algumas mulheres que usam estes adereços e uma profissional de cabelo. Umas desconhecem os resultados do referido estudo, mas há quem afirma que, sim, já tem conhecimento e aconselha às suas clientes a prevenirem-se.

Em conversa com Olinda Macie, ela partilhou que usa mecha há vários anos, “porque gosto de mudar de penteado e é prático no dia-a-dia. Mas, confesso que não sabia que o uso desses cabelos artificiais podem provocar problemas de saúde. Sempre achei que não existe nenhum risco”.

Já Aventina Tamele começou por dizer que gosta de colar próteses, no entanto, afirma que “nunca me disseram que poderia ter problemas graves ligados a isso. Para mim, é algo normal porque muitas mulheres usam. Não sabia que traz consequências para a saúde, estou muito assustada porque muitas mulheres gostam deste tipo de cabelos”.

Por seu turno, Verónica Tembe, cabeleireira disse que tem conhecimento sobre o assunto. “Sei que ficar muito tempo com cabelos estético pode causar problemas de saúde, por isso aconselho sempre as minhas clientes a não prolongarem esse período, seja em extensões feitas com a mecha popularmente conhecida até às próteses. Aconselho-as também a cuidar do couro cabeludo”.

Cientificamente, a orientação é que se procure extensões com rótulos que garantam a ausência de toxinas (‘toxin-free’) e prefira-se materiais naturais com pouco tratamento, embora até o cabelo humano possa ser tratado quimicamente para resistência ao calor ou fogo. Chama- -se atenção para o facto de as fibras sintécticas tenderem a conter mais aditivos perigosos, como retardadores de chama e pesticidas.


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