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Não se serve a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo…

Por Jornal domingo

É errado pensar que o Podemos não tem cuca por onde se pegue. Bula-Bula acha que o encéfalo partidário ficou demonstrado com aquele genial conchavo da Manhiça, do qual resultou na contratação do mais barulhento megafone da praça, o esplêndido e afamado VM, homem de mil e um fôlegos, para fazer a campanha amarela rumo ao Parlamento, à melhor do que a campanha apagada do general sitiado, cujo partido acabou por encolher nos assentos e nas ideias, e passar a terceira força política. Mas também é errado pensar, ao falar da oposição, que não é tudo farinha do mesmo saco.

Bula-Bula acha que é, infelizmente, pois que tanto na Renamo quanto no Podemos o problema é o mesmo, são os dinheiros que, por via da representação parlamentar, aparentemente são usados como se fossem nossos. Quer dizer, em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão; mas acontece também que quando o pão abunda, onde sequer havia uma lasca de mandioca, todos ralham e acham que têm razão!

Tudo parece ter um fio condutor, um detonador de emoções, os tais 20 milhões de meticais que alguns membros do partido dizem ter sido abarbatado pelo presidente Albino Forquilha, que, energicamente, nega o acto infesto de meter a mão na massa. É verdade que o caso está na Justiça, entrementes e entreparedes, a justiça interna do partido parece já estar a funcionar, pulverizando os insurrectos, como o Hélder Mendonça, expulso do partido mais ou menos da forma que o foi António Muchanga, da Renamo.

Mas a purga, que parece ainda ir no adro, atingiu outras figuras imponentes, ostentosas, como a do Fernando Jone, que era vice-presidente da Assembleia da República até a uma alegada reunião do Conselho Central do Podemos o destituir, assim sem mais nem porquê, desempossado do cargo, retirando-lhe o tacho para que aprenda a moderar nas palavras e a respeitar o presidente.

Bula-Bula vê estas afinidades nos partidos da oposição com compaixão, mas também desiludido com a qualidade dos políticos envolvidos, sempre em esquemas, truques e embustes aos próprios estatutos. Em ambos os casos, de António Muchanga e de Hélder Mendonça, as expulsões parecem ferir os dispositivos criados pelos próprios apaniguados e compinchas.

Aparentemente, órgãos partidários e beligerantes andam a emboscar os próprios estatutos, fraudando artigos, alíneas e cláusulas. Bula-Bula começa a ficar assustado com estas artimanhas, estas várias maneiras de interpretar os estatutos de um partido, porque alguns deles são deputados e daqui a mais um pouco estão a interpretar a Constituição da República da maneira que mais lhes convém ao bolso.

Bula-Bula só quer deixar um recado de Jesus Cristo: não se pode servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo…

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