- denuncia Feliciano Dias, bastonário cessante da Ordem dos Engenheiros de Moçambique
A poucos dias de cessar funções à frente da Ordem dos Engenheiros de Moçambique (OrdEM), Feliciano Dias faz um balanço do seu mandato que se destaca, entre outras questões, pela expansão da agremiação, reconhecimento internacional da engenharia moçambicana e crescente intervenção em matérias ligadas ao sector no país.
Em entrevista ao domingo, o bastonário cessante aborda também os desafios que persistem na classe, desde o exercício ilegal da profissão à degradação precoce de infra-estruturas, e aponta o Estado como o principal empregador de indivíduos que exercem engenharia sem estarem devidamente inscritos na OrdEM. Indica, igualmente, constrangimentos financeiros que condicionam a qualidade das obras públicas e defende que o país dispõe de engenheiros qualificados para garantir padrões técnicos elevados, não obstante a falta de confiança na mão-de-obra moçambicana.
Ao longo do seu ciclo directivo, a OrdEM registou um crescimento significativo do número de membros, ampliou a sua presença nas províncias e consolidou-se como entidade de consulta em processos de contratação de mão-de- -obra estrangeira na Engenharia. Paralelamente, engenheiros moçambicanos passaram a ocupar posições de relevo em organismos internacionais e a beneficiar de acordos de reconhecimento profissional além- -fronteiras, num processo que, segundo Feliciano Dias, reforça a credibilidade da profissão.
Quais foram os principais ganhos do seu mandato?
Ao longo destes quase cinco anos alcançámos realizações que se reflectem no fortalecimento institucional da OrdEM. O número de membros cresceu de cerca de 5500 para perto de 9500, praticamente o dobro. Fomos, igualmente, convidados a integrar diversas comissões técnicas de trabalho no país, o que demonstra maior reconhecimento do nosso papel. Temos núcleos em Sofala, Manica, Tete e Nampula, além de comissões instaladoras nas restantes províncias, com excepção do Niassa. Outro marco importante foi a realização do Fórum dos Engenheiros dos PALOP e o facto de o Ministério do Trabalho, Género e Acção Social passar a consultar formalmente a OrdEM sempre que há processos de contratação de mão-de- -obra estrangeira na área da Engenharia.
E além-fronteiras?
No plano internacional, tornámo-nos membros efectivos, com direito a voto, de organizações regionais e mundiais de engenharia, o que elevou a visibilidade da engenharia moçambicana. Destaca-se também a eleição do bastonário- -eleito para vice-presidente de uma organização regional de engenharia da África Austral. Revimos também o acordo de reconhecimento e reciprocidade com a Ordem dos Engenheiros de Portugal, facilitando a mobilidade profissional entre os dois países.
Fale dos impactos concretos deste reconhecimento?
Hoje já temos vários engenheiros moçambicanos a trabalhar oficialmente em Portugal ao abrigo do acordo de reconhecimento profissional, assim como engenheiros portugueses que exercem actividade em Moçambique com base na mesma reciprocidade. Este intercâmbio demonstra que estamos a crescer e a consolidar a credibilidade da OrdEM e da profissão.
E em relação ao ensino da Engenharia?
Um avanço relevante foi o reconhecimento, pelo Conselho Nacional de Avaliação de Qualidade do Ensino, do regulamento de admissão de membros da OrdEM como referência para a formação em Engenharia no país. Isso representa um passo significativo, porque as instituições de ensino passaram a alinhar os seus cursos com padrões profissionais mais exigentes. Leia mais…

