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Prisão de “Small Boy” vai ajudar a esclarecer raptos

Por Jornal domingo

TEXTO DE CUSTÓDIO MUGABE

O nível de esclarecimento do crime de raptos continua aquém do desejado pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), que, agora, está com a fé renovada, na sequência da detenção do operativo Armando Timba, também conhecido por “Small Boy”.

A confiança do SERNIC e de toda Polícia da República de Moçambique (PRM) baseia-se no histórico de “Small Boy”, marcado por assaltos à mão armada e envolvimento em raptos desde que aceitou servir os interesses do estratega Edson Wombe “Dudú”, foragido, e do falecido Momad Assif Abdul Satar “Nini”. “Small Boy” foi detido quando recebia tratamento médico numa clínica privada, em Maputo. Antes, tinha estado envolvido na tentativa fracassada de rapto a um empresário proprietário da Ferragem Choupal no dia 12 de Fevereiro corrente.

Na operação que resultou no aborto do rapto, houve tiroteio e dois bandidos foram atingidos mortalmente. “Small Boy” escapou ileso e dois suspeitos de nacionalidade sul-africana fugiram, tendo no mesmo dia atravessado a fronteira de Ressano Garcia. Por milagre, nenhum agente da PRM foi atingido, mas a viatura que os transportava ficou com várias marcas de balas, incluindo no vidro frontal.

“DOBRADINHA”

O SERNIC está agora a seguir o rasto dos malfeitores, tendo já apurado conexões entre vários casos de raptos reportados nos últimos anos. Para a autoridade de investigação criminal, Edson Wombe assumiu o papel de estratega dos raptos após o falecimento do seu mentor, Nini Satar, declarado óbito numa cela da cadeia central no dia 28 de Março do ano passado. O SERNIC, através do porta- -voz Hilário Lole, explica que Nini Satar, Edson Wombe e “Small Boy” tornaram-se parceiros durante o cumprimento de penas na cadeia.

Ao trio junta-se Estêvão Muchanga “Mbambane” e ainda Milton Moiane “Baclito”, este último também detido e que já esteve envolvido em assaltos ao lado do comparsa “Small Boy”, agora seu chefe. “Este tipo de crime é organizado e transnacional, porque são indivíduos que actuam no país e que têm algumas ligações no estrangeiro, concretamente na África do Sul e Eswatini. Esses casos não são tratados de forma isolada. Seguimos o rasto porque o grupo é basicamente o mesmo. O trabalho decorre continuamente para mitigar, combater e prevenir os raptos. Tivemos informação do rapto, identificada a vítima, que era um dos proprietários da Ferragem Choupal, e estivemos no local. Após a fuga, houve perseguição até Zona Verde, onde embateram com um “Chapa”. Houve tiroteio e infelizmente morreram dois. Continuamos a seguir o rasto”, disse Hilário Lole.

Segundo a Polícia, “Small Boy” e “Baclito” foram decisivos no assalto a uma viatura de transporte de valores no Supermercado Jumbo, na Matola, em 2024, que culminou com o assassinato de um segurança da empresa Xidjumane. Agora, sob custódia, segundo a nossa fonte, “Small Boy” confessou a participação, por exemplo, no duplo rapto ocorrido na manhã do dia 7 de Outubro de 2021, que ficou conhecido como a “manhã da dobradinha”. “No dia 7 de Outubro de 2021 houve um duplo rapto, primeiro na Universidade Eduardo Mondlane, muito cedo, e logo depois, por volta das 8 horas, no Jardim dos Namorados, foi raptado um médico.

Naquele dia, ‘Small Boy’ diz que festejaram em termos de ‘dobradinha’, como se diz no futebol quando uma equipa ganha o campeonato e a taça. Ele esteve envolvido como operativo em mais de dez raptos.

A partir de 2019-2020 para cá, o operativo dos raptos era o ‘Small Boy’. Confessa que com a morte de Nini Satar, o mandante é Edson Wombe ‘Dudú’ e temos conhecimento de que está no Eswatini e estamos a cooperar para o neutralizar”, relata Hilário Lole.

POLÍCIAS RAPTORES?

O SERNIC entende que em alguns casos há pessoas envolvidas nos raptos sem o devido conhecimento devido à astúcia dos mandantes. “Por isso, como encontramos as pessoas certas, dizemos que este resultado operativo foi um grande ganho para o país. Primeiro porque neutralizamos um dos grandes operativos. Muitos raptos aconteceram com o envolvimento dele.

Segundo, foi uma grande chamada de atenção para os que ainda estão na dianteira. O aborto do rapto demonstrou um bom nível de preparo da nossa parte. Foi um grande feito da nossa investigação criminal. Quando neutralizarmos o Edson Wombe, poderemos dizer que teremos 90 por cento de possibilidade para os raptos serem uma data na história no país”.

 UM NO CATIVEIRO

Indagado sobre o rapto de um empresário de nacionalidade portuguesa na baixa da cidade de Maputo, no dia 7 de Outubro do ano passado, Hilário Lole disse que ainda não houve desfecho do caso. “Infelizmente ainda está em cativeiro e trabalhamos continuamente para esclarecer o caso. Comparando com outros anos, a tendência é de melhoria. Apenas temos uma pessoa em cativeiro”.

Sobre a possibilidade de envolvimento de agentes da Defesa e Segurança nos raptos, o nosso entrevistado disse que quem pratica o mal é penalizado. “Não vamos negar que em algum momento apresentamos suspeitos de participar em crimes de raptos alguns agentes e membros das Forças de Defesa e Segurança. Pela qualidade desses indivíduos, tem aquele impacto, acaba parecendo que os praticantes de raptos são agentes. Não é verdade. Já apresentamos alguns indivíduos e foram devidamente responsabilizados e também foram tomadas medidas disciplinares. Não temos tido envolvimento de agentes”. As estatísticas do SERNIC indicam que em 2020 houve 16 raptos, 2021 (14), 2022 (13), 2023 (11), 2024 (15), 2025 (10) e 2026 ainda sem qualquer caso.

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