Uma quadrilha que se dedicava aos raptos e roubo de bens com recurso a armas de fogo está a contas com a justiça, por ter caído nas malhas da Polícia, enquanto tentava renegociar o resgate inicialmente pedido para libertar uma vítima.
Respondem ao processo-crime número 28/2024-A, que corre na Décima Secção Criminal, do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, sete indivíduos, maior parte dos quais com extensa ficha criminal conhecida nos meandros policiais.
Com idades compreendidas entre 30 e 45 anos, dois co-arguidos supostamente conheceram- -se por meio do aplicativo “Yango”, através de um frete desde a Matola-Rio até ao Terminal Interprovincial da Junta. Para o Ministério Público, terá sido, a 14 de Fevereiro de 2024, que nasceu uma relação estreita, tanto é que a viatura passou a ser usada pelo fretador vezes sem conta, incluindo para incursões criminosas.
Outros dois arguidos, ainda deduz a acusação, teriam se conhecido na cidade da Beira, durante uma festa de aniversário, havendo também uma relação de afinidade entre ambos.
As relações entre os restantes arguidos do processo teriam sido aprofundadas no terminal da Junta, onde o crime foi orquestrado. O desígnio para protagonizar o rapto, ainda de acordo com o MP, viria a ser consolidado pelo grupo, em Dezembro de 2024.
ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA
Em relação ao rapto, o processo descreve um cenário revestido de desígnio criminoso, típico das cenas de Hollywood. Com efeito, a quadrilha recorreu a uma arma de fogo, do tipo “AK-47”, além de uma pistola, viatura modelo “Ractis”, cor branca, e outra Toyota “Vanguard”. Ainda para a consumação do crime, adicionalmente juntaram dois imóveis, que serviriam como cativeiro.
Dois concunhados envolveram-se no crime, sendo que o que vivia em Mukathine, na Matola, convidou o outro residente na cidade da Beira, a fim de se deslocar a Maputo.
Da capital de Sofala, viajaram dois dos comparsas, tendo ambos ficado hospedados em Mukathine. Apenas com um detalhe; é que um deles se encontra foragido na República da África do Sul, por sinal, tio de um dos arguidos.
De acordo com o Ministério Público, o foragido, assim que chegou à residência do sobrinho, teria apresentado ao restantes duas armas que viriam a ser usadas para o cometimento do crime.
RAPTO
A vítima escolhida foi um empresário moçambicano, administrador de duas empresas, residente na zona da Sommerchield, o qual foi mantido em cativeiro durante 72 dias, debaixo de uma vigilância apertada. Para monitorar a vítima, foi destacado um dos integrantes.
A quadrilha já há bastante tempo andava, de tocaia, a estudar os movimentos da vítima, até que viria a identificar um dos habituais, nas primeiras horas do dia.
A 21 de Fevereiro de 2025, os bandidos, todos encapuçados, irromperam-se no parque de estacionamento da sede do Comité Olímpico de Moçambique, onde, à força, levaram a vítima, por volta das 7.00 horas.
O rapto ocorreu justamente quando a vítima estava a sair da sua viatura, da marca Range Rover, enquanto os raptores se faziam transportar em duas viaturas, ambas da marca Toyota, uma “Ractis” e, a outra, modelo “Vanguard”.
O dia de ginástica terminaria da pior forma para a vítima, sendo certo que, mais espantados, terão ficado muitos que frequentam o ginásio. Dois dos comparsas interpelaram a vítima, arrastando-a para o interior do “Vanguard”. Pelo facto de ter oferecido alguma resistência, um dos integrantes empunhou uma faca, com a qual picou na perna direita da vítima, até que não mais conseguiu se livrar dos raptores.
Consumado o acto, as duas viaturas do bando saíram à alta velocidade, seguindo pelas avenidas Mateus Sansão Muthemba, contornando pela Mártires da Machava, em direcção à 24 de Julho.
RESGATE
Já em cativeiro, os arguidos teriam informado a vítima que não era o dinheiro do empresário que os movia, mas sim do respectivo patrão, de nacionalidade portuguesa, que terá pago a quantia de dez milhões de Meticais exigidos pelos raptores.
Cerca de 21 dias com a vítima em cativeiro, os raptores exigiram mais dinheiro. Uma vez que o patrão da vítima se recusara a pagar o valor suplementar, os comparsas decidiram transferir o empresário para um segundo cativeiro. Leia mais…

