Ainda na ressaca da quadra festiva do longínquo ano de 1980, precisamente a 2 de Janeiro, o Presidente Samora desencadeou aquela que ficou conhecida como “Ofensiva Política e Organizacional”. Nunca o país tinha visto o seu Presidente assim, o rosto grave, destacando-se da sua farta barba, cuidadosamente aparada, olhos inflamados pela indignação, pela revolta. Samora visitou armazéns, lojas do povo, o Porto de Maputo, a Cogropa, a Encatex, enfim, todo o entrelaçado de abastecimento.
Estes sentimentos do Presidente, Bula-Bula explica, foram desencadeados pelo facto de o abastecimento ter falhado, em toda linha, nesse ano. Aos ouvidos de Samora chegaram lamúrias, queixas de que o “seu povo” tinha passado a quadra festiva à míngua e escassez.
Ele, que havia festejado no Palácio da Ponta Vermelha, inclusivamente chamando o Corpo Diplomático acreditado em Maputo para um brinde, ficou revoltado! Samora pegou no então ministro do Comércio, Aranda da Silva, e fez uma varredura pelos armazéns da Cogropa e Encatex, as empresas abastecedoras, e começou uma verdadeira ofensiva ao “desleixo, à incúria, à incompetência, à sabotagem”, como constatou.
As imagens da ofensiva mostram um Presidente verdadeiramente zangado, revoltado com o que viu, armazéns pejados de alimentos, alguns já perecidos, e como era de esperar, os responsáveis ficaram com os ouvidos a arder, perfilados em frente ao Marechal e a balbuciar o injustificável. Leia mais…

