Há 37 anos que Peter Mathias Schmauch percorre os corredores do Departamento de Ortopedia do Hospital Central de Maputo. O soalho daquele edifício conhece seus passos e os pacientes tem-o por confidente. O alemão que chegou no país em 1988, a 16 de Setembro, mesma data que o Papa João Paulo II aterrou cá pela primeira vez, já é nosso.
Na parte superior da porta do seu gabinete de trabalho um retrato infantil, feito a lápis, desperta curiosidade. No papel A4 estão desenhados dois indivíduos devidamente aprumados de bata médica. No topo da folha, uma frase legenda a ilustração: Médicos da Ortopedia III.
Mais abaixo por cima da cabeça de cada desenho está a identificação: “Matias” e “Bernabé”. A caligrafia é de Helena Jossias Mazembe, uma paciente que esteve internada naquela enfermaria da Ortopedia III, sob os cuidados dos dois médicos ali retratados. Aquilo é reflexo do afecto que os pacientes acabam desenvolvendo por seus médicos, quando tratados com humanidade.
Aliás, este foi um facto que o ortopedista Peter Matthias Schmauch, ou simplesmente Matthias, como é tratado, destacou durante a conversa descontraída com o domingo. “É difícil não desenvolvermos afecto pelos nossos pacientes. São pessoas que estão ali porque precisam de nós. Mas temos que ter a consciência de estabelecer limites e respeito”, afirma. Por causa dessa empatia, o ortopedista, que hoje conta com 72 Leia mais…

