Um grupo de músicos moçambicanos residentes na diáspora, particularmente na Alemanha, tem-se esmerado na organização de eventos culturais com o objectivo de promover ritmos musicais de Moçambique, especialmente a marrabenta, como forma de expandir o seu valor e fortalecer os laços culturais naquela comunidade. As acções visam, igualmente, dar palco a talentos emergentes, contribuíndo para a renovação e o futuro do género.
AfroMigo, que conta com 20 membros, todos residentes na Alemanha, é exemplo de um dos projectos iniciados por uma organização socio-cultural e humanitária baseada em Wiesbaden, Frankfurt, que tem 10 anos de existência e é liderada por Octávio Rainde, músico, compositor e activista social.
Ao domingo, Rainde explicou que a iniciativa do festival visa promover e unir o intercâmbio entre músicos moçambicanos na Alemanha, bem como noutros países europeus. “O nosso foco neste evento é alavancar ainda mais a cultura moçambicana além-fronteiras”.
Referiu que a ideia surge num contexto de descoordenação da actividade dos artistas na diáspora, sobretudo na Alemanha. Nessa perspectiva, foi criada uma plaforma para unir os músicos fazedores do ritmo marrabenta. “Vi um vazio na organização dos artistas moçambicanos residentes fora do país, para vender a marca da cultura moçambicana”, disse.
Octávio Rainde disse que a intenção é ver todos artistas moçambicanos a alavancar a cultura e a imagem do país no estrangeiro. E “neste momento estamos a sensibilizar outros moçambicanos, assim como expandimos as nossas ideias, para que sejam representantes nos países que se encontram”, pois, segundo ele, a marrabenta é um espelho da cultura moçambicana, por isso “queremos organizar o nosso ritmo local, internacionalmente, porque não está a ser aproveitado”, afirmou. Acrescentou que o projecto foi recebido com satisfação naquele país alemão.
REALIZAÇÃO DE FESTIVAL
Rainde avançou que será realizado um festival no dia 15 de Novembro, na Alemanha, que contará com a actuação de quatro músicos nacionais residentes no mesmo país e com a participação de grupos culturais da Somália, além de DJ.
Referiu que será apresentada a imagem da cultura moçambicana através de pequenos repertórios, bem como a gastronomia da terra da marrabenta.
Destacar que Rainde reside na Alemanha há 16 anos, onde já trabalhou na construção civil e actualmente exerce funções de técnico de controlo no sector alimentar.
Ademais, Rainde partilhou que morar naquele país europeu foi um sonho que se tornou realidade. “Sempre tive o sonho de experimentar novos horizontes na Alemanha”, numa busca por melhores condições de vida e de novas oportunidades.
Para si, fazer música na Alemanha “é fácil”, pois existem equipamentos e todas as condições para tal. Mas “o difícil é fazer os concertos”, um cenário que veio piorar com a pandemia da covid-19, que fez com que as pessoas ficassem distantes umas das outras, e devido às guerras na Europa, “que reduziram bastante o financiamento dos programas culturais”, lamentou.

