TEXTO DE NEYMA DE JESUS
Num abrir e fechar de olhos, Elvira Viegas olhou para trás e apercebeu-se que faz meio século que decidiu se dedicar à música. “É uma vida, dádiva de Deus” e, por isso, motivo para festejar.
E a festa ganha forma em palco, num espectáculo que reúne canções, memórias e emoções, onde cada nota é também uma lembrança do caminho percorrido. Mas, mais do que celebrar a música, Elvira celebra e homenageia pessoas, aquelas que a acompanharam e fizeram parte da história que construiu ao longo dos anos.
Em modo automático, as cortinas abrem-se, Elvira Viegas entra. Seguem-se as crianças, de roupas coloridas, segurando balões, preenchendo o palco de alegria e amor. Ao mesmo tempo, os instrumentistas, num toque mágico, dão “start” à bateria, ao teclado, às guitarras e aos tambores, e comprovam que o evento começou.
Acompanhada por cinco vocalistas, sem delongas, Viegas namora o microfone e canta, diz “Khanimabo Yesu”, porque, para ela, se Deus não tivesse permitido, não haveria 50 anos nem show nem público concentrado no Centro Cultural Moçambique-China para com ela comemorar. Enquanto actua, na tela rolam imagens que retratam o seu percurso como artista e não só. Com guitarra ou microfones, a actuar ou em espaços comuns, sozinha ou acompanhada, vê-se da Elvira jovem à super adulta dos dias de hoje.
Balões para cima. Convida As Mangovias para o palco e, juntas, cantam “Rula”. Segue “Xihlovo Xa Utomi”, que traz novamente bailarinos ao palco e animam o público com uma coreografia agitada que convida aos mais atrevidos da plateia a levantar, gritar e aplaudir.
Posto isso, a iluminação do palco torna-se mais quente, indicando que algo diferente está por vir e, de facto, o espectáculo toma outro sabor ao receber em palco Alvim Cossa, num traje tipicamente africano, com a voz forte e penetrante, a recitar poemas em línguas ver Leia mais…

