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“Modjeiros”: os gestores das paragens e dos “chapas”

Por Hercília Marrengule

Diante da crise de transportes na cidade e província de Maputo, caracterizada pela escassez de “chapas”, encurtamento de rotas e filas intermináveis, eis que emerge uma figura cuja presença se tornou quase tão frequente quanto as próprias viaturas: o “modjeiro”. O nome vem da gíria “modja”, usada para designar o acto de angariar clientes. Mas o fenómeno já vai muito além disso. Hoje, assumem praticamente funções de gestores das paragens, impondo a sua autoridade num sistema de transporte fragilizado e marcado por lacunas na fiscalização e não só.

São eles que gritam rotas, controlam filas, empurram passageiros e, em muitos casos, cobram aos operadores pelo trabalho. Contudo, se para eles esta é uma forma legítima de sobrevivência, afinal, muitos conseguem garantir o sustento de suas famílias através dessa actividade. Mas para os passageiros e motoristas não passam de figuras abusivas que se instalaram no sector apenas para benefício próprio.

Na sua maioria jovens desempregados, os “modjeiros” vivem entre dois extremos. Alguns desperdiçam o dinheiro com álcool e drogas e quase sempre se apresentam rotos, embriagados e por vezes chegam a ser violentos. Outros, porém, não seguem o mesmo caminho. Segundo narram, levam a actividade a sério e conseguem ter uma vida condigna.

“Não somos todos iguais”, diz Miguel Filipe, de 42 anos, “modjeiro” na paragem Guerra Popular. Diferente de muitos colegas, Miguel guarda cada Metical ganho na actividade que exerce há alguns anos. Residente no bairro do Aeroporto, diz que não conseguiu estudar, “ Leia mais…

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