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ESTILO E MODA: Mulheres invadem barbearias e adoptam a escovinha

Por admin

Que crise financeira? O cabelo curto está na moda. A praticidade no dia-a-dia ditou a tendência. Amulherada invadiu os salões de corte e, à semelhança dos homens, refastelam-se em assentos de barbearia e entregam as suas cabeças para uma boa escovinha não raras vezes finalizada com uma juba. É a moda dos cabelos rasos que tomou o mundo feminino, domingo acompanha e traz alguns testemunhos. 

O cabelo curtinhoé a opção de um considerável número de mulheres na cidade e província de Maputo. Aqui não tem nenhuma crise. São cortes ousados que, milagrosamente não retiram o charme e a beleza de indivíduos do sexo feminino.  

As formas são diferentes e, na maioria, criativos sem amputar a personalidade e carácter de cada mulher.

Desde o local de trabalho, passando pelas salas de cinema, restaurantes, até às igrejas, mulheres de diferentes faixas etárias impõem o seu look que conquista cada vez mais adeptos.

Elas trocaram os onerosos cabelos humanos brasileiros, indianos e chineses pelos fios curtinhos. Este é o caso da Ana Francisco Macamo, estudante, residente na cidade de Maputo, que anda de cabelo curto há dois anos, depois de acontecer um pequeno desastre no tratamento dos seus fios capilares.

Após retirar as extensões de cabelos “desfrisei o cabelo. Mas, o produto que apliquei não me caiu bem e provocou queda capilar”. A solução passou por rapar a cabeça.“Inicialmente era apenas para recuperar o meu cabelo. Só que acabei gostando. Toda gente elogiava-me pelo corte, por isso desisti de criar de novo”, contou Ana Francisco, que por enquanto não se imagina de cabelo longo.

Para ela, o curtinho é muito prático, económico e está na moda. “Identifico com ele, e apesar de ser um corte masculino consigo ser muito feminina pois aposto em acessórios como brincos, colares, maquilhagem só para realçar a minha feminilidade”, apontou Ana. O corte e os respectivos acertos ficam ao critério do barbeiro, que trata de deixá-la em perfeitas condições.

Outra mulher adepta da escovinha é Lavínia Matusse, engenheira informática, residente no bairro da Matola, província de Maputo. A decisão partiu da necessidade de encontrar conforto. “Nunca gostei de cabelos longos. Nem de fazer tranças e detesto ainda a ideia de levar horas no salão. Antes tinha dreads e decidi cortar porque sentia um grande desconforto por serem compridas”, revelou a jovem que confessou gostar de marcar diferença. “Já fiz crista, um corte tipicamente masculino, que poucas mulheres têm a ousadia de fazer. Cada corte que faço retrata uma fase de transição na minha vida”.Contudo, no princípio enfrentou algumas situações desagradáveis por causa do cabelo curto. “Já fui a um barbeiro que me disse que não cortava cabelo a mulheres e que aquele espaço era apenas para homens”, disse.

 

Já a jovem Zulfa Olimpia, funcionária de uma pizzaria e residente em um dos bairros da cidade de Maputo, adoptou esta imagem há apenas três meses. Conforme referiu, a vontade já vem de muito tempo. “A minha mãe é que me incentivou para fazer. Convenceu-me afirmando que ficaria bonita. Eu tive algum receio, pois achava que a minha cabeça era demasiado pequena para o corte”, confessou a jovem.

No que diz respeito aos gastos com o cabelo, quando comparado com outras formas de tratar, hoje consegue poupar cerca de 190 meticais. “Corto o meu cabelo ao preço de 60 meticais e antes não podia ir ao salão com menos de 300 meticais para cuidar do meu cabelo. Isto é racional para mim”.

 INVASÃO EM BARBEARIAS

As barbearias que antes eram vistos como estabelecimentos frequentado apenas por homens, hoje foram invadidas pela classe feminina que, com muita ousadia, fazem o corte inglês( ala Elvis Presley) e francês( corte escovinha com risco de lado) tal como os homens. Quem confirma este facto são profissionais de cabelo, os barbeiros, que, entretanto garantiram pautar pela sofisticação e criatividade no seu trabalho, materializado por desenhos de símbolos, letras ou mesmo apenas riscos laterais.

Actualmente tenho atendido ou cortado mais cabelos de mulheres que de homens, e tudo é feito com cautela” revelou  Victor Gonamoda, barbeiro do salão Royal.

Para aquele profissional existe muita diferença entre o atendimento dado aos homens e mulheres. “ Elas são mais exigentes. Não vêm para fazer um simples corte. O trabalho deve ser esmerado”.

Com mais de 20 anos na profissão, Victor Gonamoda realçou que nos anos passados era raro ver uma mulher cortar o cabelo extremamente curto.

 A  nova tendência deve-se também à  volta às origens africanas em que a estética era  de  cabelo natural ou cabeça rapada, conforme avançou outro barbeiro, Ercílio Matusse.

Para o jovem cuidar de cabelo de uma mulher exige muita atenção, pois “as mulheres têm pavor de estarem feias. Quando algo sai mal no seu corte são capazes de não sair do salão até darmos uma solução para reparar a falha”, partilhou.

Texto de Luísa Jorge

luisa.jorge@snoticicas.co.mz
 

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