“É tempo de agir”. Esta é a recomendação central deixada pela VI Plataforma Global para Redução do Risco de Desastres(GP2019) que decorreu ao longo de toda a semana finda na cidade de Genebra, Suíça, na qual tomaram parte representantes de 182 países que admitem que as mudanças climáticas são um assunto para levar a sério e que as calamidades naturais estão a ameaçar a existência humana no planeta. 

 

Para o caso de Moçambique, a realização deste evento permitiu que o Governo manifestasse o seu agradecimento pela ajuda pronta que a comunidade internacional ofereceu para a localização, resgate e assistência humanitária devido à recente passagem dos ciclones Idai e Kenneth.

Mami Mizutori, representante especial das Nações Unidas do Secretário-Geral para a Redução do Risco de Desastres, recebeu a comitiva moçambicana na manhã de sexta-feira e deixou claro que as Nações Unidas, nas suas diferentes vertentes, estão plenamente abertas a apoiar o país e que tomarão parte na Conferência de Doadores que o Governo moçambicano está a preparar para o dia 1 de Junho, na cidade da Beira.

Contudo, pediu que o Governo de Moçambique harmonize os números das vítimas e especifique claramente os danos e as necessidades de reconstrução para que os doadores saibam com exactidão como intervir e onde, evitando, deste modo, a dispersão de recursos ou a sua sobreposição. 

Mas o que preocupa as Nações Unidas não são apenas os ciclones que atingiram Moçambique, Zimbabwe, Malawi, Tanzânia e Índia nos últimos três meses. Este organismo entende que o mundo deve encarar os desastres naturais como um problema sistémico e que requer acções imediatas e de todos.

Por causa disso, o lema escolhido foi “Dividendos de Resiliência: Rumo a Sociedades Sustentáveis e Inclusivas”, o qual forneceu uma contribuição crítica para o Fórum Político de Alto Nível e a Cúpula de Acção Climáticaque terão lugar ainda este anoe que vão versar sobre o desenvolvimento sustentável.

Outra grande preocupação das Nações Unidas relaciona-se com o facto de a maior parte dos países estar a caminhar lentamente na implementação de medidas voltadas para a redução de risco de desastres, mesmo tendo aderido ao Quadro de Sendai e a Agenda de Desenvolvimento Sustentável, ambos com o prazo de 2030, e ainda o Acordo de Paris, a Agenda para a Humanidade, a Nova Agenda Urbana e o Caminho da SAMOA.

Até aqui, e conforme apurámos, apenas noventa e um países relataram o desenvolvimento de estratégias de redução de risco de desastres. “No entanto, o ritmo actual de implementação não é rápido o suficiente para que se possa cumprir com o prazo e isto pode atrasar o progresso adicional em outras metas”, refere a equipa de coordenação das Nações Unidas que liga com a matéria.

Aliás, esta lentidão está a permitir que a mortalidade por desastres continue a ocorrer a nível global, mesmo havendo uma aparente tendência de quedae a observar-se quea maior parte do custo humano associado a desastres naturais ocorraem países de baixa e média rendas, como é o nosso caso. 

Em termos absolutos, as perdas económicas relacionadas com calamidades naturaiscontinuam a aumentaresão atribuídas principalmente às nações de alta renda”, referem as Nações Unidas através do Escritório para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR). 

Conforme foi constatado ao longo da GP2019, a população que enfrenta um risco elevado no mundo está localizada em países menosdesenvolvidose em vias de desenvolvimento,massem acesso ao mar e empequenos estados insulares em desenvolvimento.

Por causa disso, o Relatório de Avaliação Global deste ano, lançado durante a GP2019, salientaque o risco é complexo e não linear. “A compreensão ampliada do impacto e dos efeitos em cascata dos perigos naturais e provocados pelo homem é crítica”.

Também há uma forte preocupação em relação à necessidade de os países adoptarem uma abordagem inclusiva da redução do risco de desastres que possam afectar a grupos vulneráveis, tais como mulheres, pessoas deslocadas, pessoas com deficiência, idosos e crianças.

Ao actual ritmo e escala de acção não será possível atingir as metas do Quadro de Sendai que, por sua vez, coloca em risco o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030”, refere o UNISDR que também pediu uma maior ambição, compromisso e liderança a todos os governos.

Conforme foi referido ao longo da GP2019 os países devem voltar a se examinar de forma crítica e urgente sobre como lidam com o risco. “O passado não é um indicador suficiente para o futuro. É necessária uma abordagem interconectada e multidisciplinar porque os riscos hoje são sistémicos”.

DAQUI EM DIANTE

Foram várias as medidas sugeridas e acordadas e uma delas relaciona-se com o papel da imprensa na prevenção de calamidades naturais. Conforme a GP2019, a comunicação social deve ser fortalecida para contribuir efectivamente para a redução do risco de desastres.

Para o efeito, deve-se assegurar que a infra-estrutura de comunicação crítica esteja estabelecida e a funcionar de maneiras a fornecer informações que ajudem as comunidades a reduzir riscos e saber procurar ajuda em um evento de desastre.

Foi acordado que osgovernos devem acelerar os esforços para desenvolver e implementar estratégias de redução de risco de desastres, alinhadas com o Quadro de Sendai em coerência com os Planos Nacionais de Adaptaçãoe de Desenvolvimentoe, sobretudo, devem intensificar os relatórios sistemáticos para o Quadro de Monitoria de Sendai.

Os participantes da GP2019 também acordaram que é necessária a alocação de fundospara a redução do risco de desastres por todos os sectores em todos os níveis. “Isso pode ser apoiado pelo alinhamento de estruturas nacionais de financiamento integrado para o desenvolvimento sustentável com estratégias de redução do risco de desastres”.

Texto de Jorge Rungo, em Genebra

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