Texto de Luísa Jorge

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– Nélia Macondzo, mãe de criança autista e presidente da AMA

O autismo tem sido a razão de frustração de pais ou parentes de portadores deste transtorno mental, que lutam diariamente por melhores respostas para este problema. Entretanto, no meio de tanto desconhecimento, alguns pais chegam a ligar este transtorno à feitiçaria, desviando-se do que seria o caminho certo para lidar com este mal.

Entre vários relatos colhidos pela nossa reportagem, destacamos, exemplarmente, o de Nélia F. Macondzo, mãe de uma criança portadora de autismo, e de outras progenitoras, que aprenderam a lidar com este problema, num país em que o diagnóstico precoce, assistência médica assim como a educação inclusiva constituem um desafio, por um lado. Por outro, existe o estigma ou bullying que as crianças sofrem nas escolas ou a falta de um acompanhamento adequado a um aluno autista.

Nélia traz a sua experiência de lágrimas transbordando dos olhos, ao se recordar de tudo o que aconteceu ao seu filho, até obter um diagnóstico médico sobre o problema.

Foram seis anos de incógnitas e questionamentos e de tentativas de interpretar as atitudes incompreensíveis do menino. Nessa altura, perdeu a conta das idas ao pediatra à procura de um diagnóstico concreto.

“Lembro-me que o meu filho não brincava com os seus brinquedos. Quando completou um ano de idade recebeu um monte, mas até completar 2, tinha a maior parte intacta e ainda no saco. Também tapava os ouvidos, olhava para as pessoas de lado e achavam que ele estivesse a gingar”,partilha.

Mas o que mais a frustrou foi o facto de só ter tido uma resposta quando a criança completou seis anos. Desde então a meta é lutar contra o tempo. Iniciou com as diferentes terapias de fala e hoje, graças ao trabalho desenvolvido com a terapeuta e acompanhamento psicológico, o seu filho está na escola. No entanto, lamenta, pois “se tivéssemos tido uma orientação muito antes ter-me-ia preparado melhor”.

Actualmente Nélia é presidente da Associação Moçambicana de Autismo (AMA) e está a fazer um curso de Reabilitação e Inserção Social, pois o que mais a perturba é o facto de muitas pessoas e instituições ainda não terem conhecimento deste mal.“Diariamente recebemos famíliascom filhos autistas”, afirma, e muitas destas não conhecem a explicação científica do que é o autismo e refugiam-se no obscurantismo. Alega-se que a criança está assim porque não tem nome do avô ou porque fizeram alguma coisa (feitiço), diz Nélia Macondzo, ao mesmo tempo que revelouque estas interpretações despertaram a Associação para a necessidade de se fazer um trabalho de divulgação mais extensivo para que as famílias e a sociedade em si saiam da ignorância.

Temos sido convidados para realizar palestras em instituições do Governo e privadas para falar deste transtorno e, no final, muita gente vem ter connosco para dizer que tem um familiar com estas características, por isso o número de associados e do grupo de WhatsApp cresce diariamente”, diz.

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