Kiriyanhuli poderá ser partilhada

Texto de Pedro Nacuo

O imbróglio à volta da Ilha de Kiriyanhuli, na costa litoral de Macomia, província de Cabo Delgado, em disputa entre os pescadores-residentes e a DURR Moçambique, Lda., representada pelo deputado da Assembleia da República Miguel Anlaue, poderá terminar com a partilha do terreno, segundo soube o domingo, em Pemba.

O nosso semanário deslocou-se a propósito à capital provincial de Cabo Delgado para se inteirar dos últimos desenvolvimentos à volta do sururu levantado sobre a ilha e encontrou o mesmo finca-pé dos ilhéus que dizem terem sido excluídos pela consulta comunitária efectuada pela DURR Moçambique, Lda., em Julho de 2008.

Os ilhéus dizem que a consulta foi circunscrita aos residentes da localidade de Mitacata, no continente, alegadamente por não serem nativos da região. Eles contrapõem que têm a sua actividade na ilha, onde vivem muito antes de o projecto ter sido desenhado, bem assim geraram filhos e netos ali nascidos, pelo que deviam ter sido tidos em conta, o que foi ignorado pelos proponentes.

Reconhecendo que não sejam naturais de Quiterajo, vindos de outras ilhas do arquipélago das Quirimbas, em Cabo Delgado, de Nacala, província de Nampula, e outras regiões do nosso país, incluindo Maputo, dizem, entretanto, que quando chegaram ninguém vivia em Kiriyanhuli.

Juma Abubacar, residente num dos bairros da cidade de Pemba, apenas para exemplo, explora aquela Ilha de Quiterajo, através dos seus homens ali estabelecidos, desde 1987, quando obteve um fundo do então Banco Popular de Desenvolvimento (BPD), com o qual comprou um barco de pesca, cujo motor conseguiria através duma doação da Comunidade Italiana de Santo Egídio, da Reggio Emilia, quando na altura trabalhava para o Combinado Pesqueiro, na Ilha do Ibo.

“É verdade que na altura o fazíamos em campanha. Nessa altura não vivia ninguém, até que apareceu um senhor, vindo de Quiterajo, que plantou alguns coqueiros e foi-se embora. Depois estabelecemo-nos e durante este período todo nunca ouvimos que a ilha tivesse sido cedida a quem quer que fosse, senão em 2016, depois que desenvolvemos a aldeia com o aparecimento de mais residentes-pescadores, sobretudo de Nacala”.

Juma Abubacar diz que, como ele, o número de interessados em explorar a ilha foi crescendo “e a nossa actividade económica é, de facto, lá, através da nossa presença física, bem assim, pelos nossos trabalhadores que logicamente devem transportar o pescado para o continente, donde expedimos para as diferentes partes do país”.

O domingo confirmara, por outro lado, pela voz do delegado provincial do Instituto Nacional de Estatística, em Cabo Delgado, Eugénio Martins Singano, que os residentes daquela porção têm sido recenseados desde 2007, apesar de então serem em número ínfimo.

“Nessa altura eram apenas 35, mas depois o número veio a crescer exponencialmente”, disse a nossa fonte.

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