CRISE FINANCEIRA: Famílias e empresas caem na bancarrota

Texto de Bento Venâncio
bento.venancio@snoticicas.co.mz
As contas já não batem certo. O dinheiro pura e simplesmente desapareceu ou então circula em tão poucos bolsos que ninguém dá por ele. Empresas estão, nitidamente, a cair na insolvência. Famílias vivem sufocadas de dívidas e perdem carros e/ou casas em execuções pelos bancos. Este é o retrato terrível da crise que persegue a economia moçambicana nos últimos três anos.

 

Famílias e empresas endividaram-se, em muitos casos, quando as expectativas de negócio ou de consumo eram assumidas num ambiente macroeconómico diferente do de hoje.

Prevalecia, então, o optimismo trazido por uma economia que crescia a sete por cento ao ano e não se vislumbravam tempos difíceis.

Pessoas acotovelam-se nos balcões de bancos na busca de financiamento. Algumas compraram carros, outras adquiriram vivendas na Vila Olímpica ou no Intaka, em Maputo. 

João, por exemplo, foi buscar 300 mil Meticais num dos bancos comerciais. Comprou uma viatura para a família e no início o banco cobrava uma prestação de pouco mais de dez mil meticais. “Hoje pago 14 mil Meticais”, disse ao domingo.

Alberto optou por comprar uma casa modesta algures no Tsalala. “A prestação que pago hoje ao banco é quase o dobro daquela que pagava no início do contrato”, denuncia.

A variação de mensalidades acordadas com os bancos comerciais foi ditada pelo incremento das taxas directoras pelo Banco de Moçambique.

Famílias e empresas referem que tal variação implicou a insustentabilidade de dívidas contraídas, que em alguns casos, superavam o limite legal estabelecido que corresponde a um terço do rendimento mensal.

“Já não consigo pagar a minha prestação mensal”, disse A. Miguel, acrescentando: “no início pagava doze mil ao banco, agora pago dezasseis”.A título de curiosidade, todos estes ajustamentos tiveram lugar quando a crise começou a apertar, há três anos, obrigando o próprio Estado a proceder a uma revisão da Despesa Pública em baixa, o que transmitiu, de forma imediata, as dificuldades financeiras das famílias e das empresas.

 

Com efeito, o rácio de crédito em incumprimento evoluiu de 3.9% em 2014 para 4.01% em 2015, com a seta apontada para cima, nos últimos anos.

Quem o diz é a Associação Moçambicana de Bancos, voz autorizada nestes assuntos. Sublinha que avariação crescente do rácio de crédito em incumprimento ou em default sejustifica pelofraco desempenho da economia que afectou diferentes ramos de actividade, em particular o sector primário e terciário”.

O fraco desempenho gerou impacto negativo no ambiente macroeconómico, com reflexos na qualidade da carteira de crédito. São poucas as pessoas que vivem hoje sem dívidas.

A fraca procura de bens pelas famílias teve retorno de abrandamento da actividade empresarial e consequentemente afectou o cumprimento pontual das obrigações das empresas, sujeitas, desta forma, à insolvência.

FALÊNCIAS DE BRADAR AOS CÉUS

É espantosa a escalada de leilões bancários anunciados, a ritmo vertiginoso, por instituições credoras. Uma avalanche de anúncio de penhoras inunda todos os dias os jornais, dando vazão ao movimento processual das secções comerciais de tribunais.

domingo   apurou que esta situação começou a ganhar contornos alarmantes precisamente nos últimos três anos quando os bancos finalmente se queixaram, alegando que os clientes já não pagavam os créditos , e os tribunais pouco ou nada faziam na cobrança de dívidas pela via litigiosa.

É fácil confirmar isto recorrendo à leitura atenta dos últimos relatórios da Pesquisa do Sector Bancário, trazidos à estampa anualmente pela Associação Moçambicana de Bancos e pela KPMG.

Nessa altura famílias e empresas viviam (ainda vivem, algumas) acorrentadas de dívidas até ao pescoço, incapazes de reagir ao estímulo de uma economia em conjuntura desfavorável.

Reproduzimos à parte anúncios das secções comerciais de tribunais indicando a necessidade de cobranças coercivas a clientes em incumprimento.

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domingo, 15 outubro 2017, 00:00
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