Crise como factor de unidade nacional (1)

Sei que alguns não me entenderão, mas a partir do segundo parágrafo vou transcrever uma crónica da minha lavra e publicada, quando vivia em Cabo Delgado, nas vésperas duma das reuniões de quadros do partido Frelimo, realizada na Matola, que o veterano Jorge Rebelo leu para os seus camaradas, porque lhe tinha ido ao seu âmago patriótico. Voltemos a ler:

Um dos mais complicados métodos de ensino é aquele em que se parte do geral para explicar o particular. É mais difícil falar do mundo a partir da ideia do Universo e as generalizações em alguns níveis de conhecimento são um mau caminho, sendo preferível, bastas vezes, partir do que nos rodeia para perceber o que pode estar a acontecer com os outros, nossos semelhantes.

E no meu país, onde tudo é forçado a ser nacional, estamos a viver durante mais de 40 anos, de palavras de ordem, que devem ser pronunciadas em cada etapa da nossa história, em cada canto do país, da mesma forma e sem olhar pelas especificidades de cada região. Desta vez surge-nos uma palavra de ordem que nos é imposta a partir do mundo, sim, daquelas que só elas são o mundo! Crise mundial.

Já não estamos a falar das décadas de combate ou erradicação do que quer que seja, não falamos dos “deixa-estar” ou “deixa-andar”, estamos a deixar a necessidade de não só acelerar o passo, mas sim, correr, etc. Somos obrigados a abraçar a palavra de ordem do momento, CRISE ECONÓMICA MUNDIAL ou CRISE FINANCEIRA MUNDIAL.

Texto de Pedro Nacuo

This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
Pub