Circula, nas redes sociais, a carta com o título “CARTA ABERTA AOS LIBERTADORES DA PÁTRIA-I”, da autoria da Dra. Maria Alice Mabota, a Líder da prestigiada Liga dos Direitos Humanos de Moçambique, instituição que, tem-se batido pelo respeito das instituições do Estado com relação aos Direitos Humanos em Moçambique, escusado dizer que, foi dos quadros da LDH que saiu o actual Líder da Comissão dos Direitos Humanos de Moçambique, o Dr. Custódio Duma, igualmente, incansável lutador pela causa dos desfavorecidos

. A carta da Dra. Maria Alice Mabota, creio, enquadra-se no direito à liberdade de expressão, de opinião e de divulgar o seu pensamento, o que não quer dizer que seja a única e absoluta dona da verdade. Espanta-me quando, a dado passo da sua escrita diz, “os críticos vão me crucificar por esta carta mas eu não vivo para os críticos com interesses, vivo com e para o povo que sofre. Só me vai sacrificar quem com Guebuza desfruta o sabor da libertação”, o sublinhado é meu, estimada Dra. Maria Alice Mabota! Me parece querer limitar a liberdade de pensar diferente em relação a sua opinião para com a Governação de Armando Emílio Guebuza, o que a partida, não me parece justo, me parece a limitação dos direitos de outrem, não acha?

ARMANDO EMÍLIO GUEBUZA, DO NASCIMENTO AO ENSINO SECUNDÁRIO!

A carta da Dra. Maria Alice Mabota despertou-me algum interesse relativamente ao Guerrilheiro Armando Emílio Guebuza, pelo que, recorri a internet para entender e ajudar a entender sobre esta personagem a Dra. Maria Alice Mabota. Estamos na era das TIC, Armando Emílio Guebuza trata-se, como é obvio, de cidadão de nacionalidade Moçambicana que, nasceu a 20 de Janeiro de 1943 em Murrupula, província de Nampula, onde o seu pai de nome Miguel Guebuza exercia as funções de enfermeiro. Em 1948 Armando Emílio Guebuza vem a Lourenço Marques na companhia dos progenitores por transferência do pai, dizer que, a Mãe, Marta Bocota Guebuza era doméstica, aos 6 anos inicia os seus estudos em Xipamanine, no Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique.

Em seguida frequenta a Igreja da Missão Suíça, para além do ensino aprendizagem, o rapaz Armando Guebuza participa e de forma activa na vida da Igreja e nas actividades que fortalecem o espírito de união comunitária onde de entre outras actividades realizava-se patrulhas. De fontes diversas indica-se que Armando Emílio Guebuza foi um estudante exemplar e sempre sedento de saber, pelo que não consta que tenha chumbado a este nível de ensino. Quando passa para o ensino secundário Armando Guebuza junta-se a outros Jovens com visão futurista congregados no Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique, mais conhecido na altura por “NUCLEO”. Recorde-se, caro leitor, esta organização foi fundada por Eduardo Mondlane, tendo como objectivo a realização de aulas de compensação, vulgo explicação, educação cívica e cultural e de forma não pública desenvolvia igualmente educação política. Desfilaram na direcção deste Núcleo, para além do Dr. Eduardo Mondlane, Joaquim Chissano e Armando Emílio Guebuza, este último em 1963, ao mesmo tempo que se junta a rede clandestina da Frelimo que operava na então Lourenço Marques. Nesta qualidade desenvolveu, segundo notas de então, um trabalho de mobilização junto de estudantes secundários nesta fase.

ARMANDO EMILIO GUEBUZA GUERRILHEIRO DA FRELIMO!

De acordo com dados que as reputo de fiáveis, Armando Emílio Guebuza, não satisfeito com o trabalho que desenvolvia na rede clandestina de Lourenço Marques, decide, na companhia de outros jovens, juntar-se à Frente de Libertação de Moçambique na Tanzânia. Para o efeito, seria a Março de 1964 que decidem abandonar o País usando, para o efeito, a via Salisbúria, e para conseguirem esse objectivo tiveram de apanhar o comboio, no entanto, para não despertar a atenção da PIDE (Polícia Secreta do Regime Colonial) o grupo decide não desembarcar em Chicualacuala, tendo o feito em Mapai e percorrido o resto do caminho a pé, já no interior da Rodésia, igualmente para não despertar a atenção tanto de um lado quanto do outro, optam por apanhar o comboio a sensivelmente 30 km, já no comboio a caminho da Zâmbia o grupo é preso pela Policia Rodesiana e encarcerados na Vitória Falls, sendo posteriormente entregues a PIDE de que tanto temiam.

Já nas mãos da PIDE, Armando Emílio Guebuza é torturado para arrancar a confissão de pertencer ao grupo “terrorista” um martírio que durou aproximadamente 5 meses e posteriormente libertos. Nos dia 24 e 25 de 1964 fica registado que Armando Emílio Guebuza e seu grupo fez estremecer o regime colonial em Moçambique através de acções de propaganda, lançando panfletos da Frente de Libertação de Moçambique com fotografias do Presidente da Frelimo Dr. Eduardo Mondlane. Este facto obrigou a PIDE  a divulgar a lista dos presos políticos que era constituída por Guerrilheiros da Quarta Região sob liderança de Matias Mboa.

Em 1965, Armando Emílio Guebuza retoma a ideia fixa de se juntar à Frelimo, para tanto, permaneceu no reino da Suazilândia como refugiado durante algum tempo, a partir da Suazilândia ensaia a fuga via África de Sul e volta a ser preso em Bechuanalandia um protectorado Britânico e ameaçado com a deportação. No entanto valeu a intervenção do Presidente da Frelimo Dr. Eduardo Mondlane que exigiu a libertação incondicional do grupo, exigência cumprida e entregues ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e conduzidos para a Zâmbia onde, pela mão de Mariano Matsinha chegam a Tanzânia.

Os primeiros treinos militar do cidadão Armando Emílio Guebuza acontecem em Bagamoyo e, posteriormente, faz parte do Grupo incumbido de abrir o Campo de Preparação Político Militar de Nachingwea. Em 1966 é transferido para Dar-es-Salam onde passa a exercer as funções de Secretário Particular do Presidente da Frelimo Dr. Eduardo Mondlane e simultaneamente lecciona no Instituto Moçambicano que era liderado pela Janetty Mondlane, no mesmo ano é nomeado Secretário para a Educação e Cultura e entra para o Comité Central do Partido Frelimo, dois anos depois é nomeado Inspector das Escolas da Frelimo e em 1970 é nomeado Comissário Político Nacional. Esta é a trajectória de Armando Emílio Guebuza Guerrilheiro da Frente de Libertação de Moçambique, espero ter contribuído, de alguma forma para o entendimento deste guerrilheiro.

EM JEITO DE RODA PÉ SOBRE ARMANDO EMILIO GUEBUZA!

Nestas notas, fica claro que, o Guerrilheiro Armando Emílio Guebuza foi usado de acordo com as suas capacidades em frentes que não são propriamente de batalha, por outro lado, a ascensão cadenciada de Armando Guebuza na Frente de Libertação de Moçambique mostra que, esteve sempre comprometido com a causa que abraçou desde jovem; ajuda mútua e apoio aos mais desfavorecidos e, por conseguinte, não pode ser comparado a ambições de Gwengere e nem a Uria Simango como tenta fazer colação a digníssima Presidente da LDH, para além de que, o Guerrilheiro Armando Emílio Guebuza, pelo seu historial, não faz parte de guerrilheiros que não sabiam usar talheiras e tão pouco que tenha beneficiado da boleia da Dra. Maria Alice Mabota, vale a pena recordar aos distraídos que, Armando Emilio Guebuza em 1990, foi nomeado ou designado como queiram, Chefe da Delegação do Governo às Conversações de Roma que resultaram na assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992. De 1992 até à realização das primeiras eleições Gerais em 1994 foi designado Chefe da Delegação do Governo na Comissão de Supervisão e Implementação do Acordo Geral de Paz para Moçambique, pelo que, somente alguém movido por razões pouco claras pode pôr em causa o compromisso deste cidadão nacional para com o bem-estar do Povo Moçambicano, provavelmente seja também o fruto da liberdade de expressão e de opinião.

PS: Este artigo de opinião, não retira o respeito que tenho pela Dra. Maria Alice Mabota e não deve ser entendido como o mero exercício de pensar diferente no contexto de pluralismo de ideias e do pensamento. Fica sublinhado que mantenho o respeito e admiração pelo trabalho que vem levando na defesa dos Direitos Humanos no nosso País.

PS2: sobre a governação do Presidente Armando Guebuza a minha opinião é sobejamente conhecida, a primeira é que estamos perante um homem que revolucionou a economia Moçambicana fazendo dos Moçambicanos sujeitos activos, não somente pelos 7 milhões mas, por toda uma legislação e acções a favor do ambiente de negócios.

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