Deslocados em Vanduzi regressam às zonas de origem

Famílias acomodadas no centro de acolhimento de Vanduzi, na província de Manica, começaram a regressar as suas zonas de origem depois do anúncio formal do prolongamento da trégua por mais sessenta dias.

‘E o retorno a origem de famílias forcadas a se deslocarem devido a tensão político-militar.

Provenientes, na sua maioria, das zonas de Chiuala e Nhamatema, no posto administrativo de Honde, distrito de Báruè, em Manica, abandonaram suas casas, a busca de segurança.

Acabaram sendo acolhidos no centro de Vanduzi onde recebem assistência alimentar e medicamentosa disponibilizada pelo Governo através do Instituto Nacional de Gestão das Calamidades (INGC).

O centro foi aberto em meados do ano passado. Até finais de Dezembro findo estavam alojadas no total 130 famílias, totalizando 782 pessoas.

Com o alargamento da trégua por mais dois meses, as famílias estão abandonar gradualmente o centro .

A reportagem do domingo que na quinta-feira esteve naquele centro de acomodação testemunhou a movimentação de algumas pessoas que já pretendiam sair do recinto dois dias depois de o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, ter anunciado oficialmente a extensão da trégua .

Os deslocados acreditam que com o cessar-fogo muita coisa poderá mudar nas suas vidas porque é o renascer de esperança de dias melhores porque, na opinião destes, o país está cada vez mais próximo de alcançar uma paz efectiva.

Maria Fernando Nhandoro, de 56 anos de idade, disse que estava a preparar-se para ir para sua residência com objectivo de ver o que sobrou após vários meses de tensão militar. Conta que seus filhos menores foram forcados a abandonar os estudos no ano passado.

“Fugi de Chiuala em Setembro do ano passado porque havia muita confusão na zona. Vi muita gente a morrer. Muitas famílias perderam seus bens tais como, gado, casa, dinheiro e outras coisas. Outras foram assassinadas a sangue frio. Com medo, deixei quase tudo e sai a procura de segurança, lembra Maria Nhandoro.

Afirmou que numa primeira fase, e por questões de segurança,  vai deixar os três filhos no centro. “Vou sozinha porque ainda não sei o que vou encontrar no terreno. As crianças ficam aqui no centro. Só depois é que irei decidir se venho levá-las ou voltou para ficar definitivamente aqui na vila de Vanduzi”, explicou.

Sobre o alargamento da trégua por mais sessenta dias, ela afirmou constituir um ganho para todos os moçambicanos porque isso vem aliviar, de alguma maneira, o sofrimento que o povo está atravessar.

“O ano 2016 foi de muito sofrimento porque não tínhamos comida e nem podíamos produzir a vontade nas nossas machambas por causa o conflito armado associado a seca severa que destruiu quase todas as culturas. Durante esses dois meses acredito que muita coisa poderá mudar porque advinham-se dias melhores pra Moçambique. Sentimos que a paz está aproximar-se de nós”, acrescentou.

Outro cidadão que também foi acolhido no centro de Vanduzi é Sebastião Azevedo. Vive com esposa e seis filhos. Disse que está em Vanduzi desde princípios de Outubro ido de Nhamatema, uma zona que também esteve sob fogo cruzado. Deixou maior parte dos seus bens. Abandonou sua casa, uma mini-mercearia onde desenvolvia actividade comercial, gado bovino, caprino e machambas .

Sublinhou que para alimentar a sua família tem sido difícil porque o que é disponibilizado pelo INGC não é suficiente.

“Assim que ouvi que os carros estão a passar sem coluna e os confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e guerrilheiros da Renamo pararam nos últimos dias, estou a preparam-me para regressar para minha zona residência. O que me preocupa agora é saber se depois de sessenta dias o que será feito de nós porque queremos paz para voltarmos a nossa vida normal. O gGverno deve continuar a trabalhar para pôr fim todas atrocidades porque o povo quer viver livremente. Pedimos ao Presidente da República, Filipe Nyusi, para continuar apostado em busca da paz para os moçambicanos”,implorou Azevedo bastante angustiado.

 

INGC CONFIRMA REGRESSO DOS DESLOCADOS

O porta-voz do Instituto Nacional de Gestão da Calamidades, em Manica, Cremildo Quembo, confirmou que algumas famílias estão mesmo a caminho das suas residências, o mesmo sucedendo no distrito de Mossurize.

“Confirmamos sim que algumas pessoas estão a sair dos centros. Agora não temos número exacto de quantas pessoas, porque está em curso um levantamento visando aferir na realidade quantas famílias saíram. Elas estão a ir ver o que sobrou para depois planificar o futuro, explicou. 

Disse ainda que devido a tensão político-militar, associada a seca cíclica que assolou algumas regiões em Manica, foram abertos cinco centros de acomodação nos distritos de Vanduzi, Mossurize, Guro, Gondola e Báruè onde estão acolhidas perto de 4 mil pessoas. 

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