É assim há 35 anos, que se completam exactamente hoje, dia 25 de Setembro de 2016. Este produto da Sociedade Notícias (SN) continua alicerçado na sociedade moçambicana e tem sabido estar e acompanhar as mutações de uma sociedade, de uma nação, de um país, ainda em construção.

Sendo domingo o primeiro, e, por conseguinte, o mais antigo semanário de Moçambique, este jornal reportou os principais acontecimentos desta jovem nação, como o debate que levou à emenda da Iª Constituição da República de Moçambique (2004), a morte do primeiro Presidente da República de Moçambique Marechal Samora Moisés Machel (19 de Outubro de 1986), as negociações de Roma com vista à cessação das hostilidades militares entre a Renamo e as tropas do governo, as primeiras eleições democráticas e multipartidárias do país em 1994, a primeira e única visita do então expoente máximo da Igreja Católica, o Sumo Pontífice Papa João Paulo II (1988).

domingotambém não se alheou do maior desastre ambiental ocorrido na costa moçambicana, que ficou registado como Caso Katina P (1992) , as cheias de triste memória que transformaram dramaticamente a província de Gaza em um imenso e infinito oceano.  Rosita, a menina que se tornou mundialmente conhecida por ter nascido em cima de uma árvore nessas cheias, resgatada por um helicóptero da força aérea sul-africana, é símbolo dessa tragédia.

domingo reportou os contornos do Caso Haxixe de Quissanga em 1998 epontuou de forma exaustiva e pormenorizada aquele que é considerado até hoje o julgamento mais mediático da história judicial moçambicana, o caso BCM (2004) e a morte do jornalista Carlos Cardoso.

 Na componente desportiva, este semanário fez merecido destaque à primeira presença da selecção moçambicana de futebol na fase final de uma Copa Africana (Egipto-1986), os momentos mais gloriosos da ex-campeã mundial de atletismo dos 800 metros, Maria de Lurdes Mutola, que insuflou os pulmões dos moçambicanos de orgulho durante quase uma década.

Mais recentemente mereceu a nossa atenção a reversão para Moçambique da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, os Jogos Desportivos Africanos que pela primeira vez Moçambique teve a honra e privilégio de acolher, as façanhas que os médicos moçambicanos dia-a-dia vão materializando para gáudio e auto-estima dos moçambicanos visando uma melhor qualidade de vida.

Não é por acaso que este hebdomadário continua pegado às causas sociais, políticas e económicas. Tudo isso é fruto do património genético que os progenitores deste projecto denominado domingo, que teve naquele que é considerado até hoje o ícone do fotojornalismo moçambicano, o malogrado Ricardo Rangel, como primeiro director, Machado da Graça, recentemente falecido, primeiro Chefe da Redacção, e Mário Ferro primeiro Chefe de Reportagem.

Sim, os jornalistas que foram sendo chamados para o cargo de Director deste semanário, nomeadamente Benjamim Faduco e Mia Couto e Ferdinando Mendes (por inerência do estatuto) e Jorge Matine (agora Administrador-Delegado e ex-Chefe da Redacção), souberam transmitir todo esse manancial genético.

A dinâmica redactorial deste semanário é também a herança deixada pelos sucessivos Chefes da Redacção com muito apego à ética e deontologia, nomeadamente Maria de Lurdes Torcato, Atanásio Dimas (falecido), Almiro Santos (actual director do semanário desafio), Moisés Mabunda, Severino Sumbe e Alfredo Dacala (actual director).

Profícuo foi também o dirigismo dos que num período deste longo projecto tiveram a áspera tarefa de Chefe de Reportagem, nomeadamente, Salomão Moyane e Daniel Cuambe. Ângelo Oliveira, que exerceu a função de secretário da Redacção e Coordenador de Desporto pode lhe ser atribuído a paternidade do nome com que hoje é conhecida a maior prova futebolística moçambicana (MOÇAMBOLA). Angelina Neves é fundadora da rubrica que durante todas estas décadas ajuda na formação das crianças moçambicanas. Falamos do njiginritane.

Um exército é por demais sabido, não é feito só de generais. Tem de ter homens ágeis e valentes mesmo diante de adversidades. domingo teve-os e, diga-se alto e a bom som, são responsáveis deste lustro passado três décadas e meia. Referimo-nos a jornalistas de mão cheia como Albano Narroromele (falecido), Bento Balói, Lourenço Jossias, Ângelo de Jesus, Orlando Muchanga (falecido), Pedro Lambo, Augusto Carvalho (falecido) Naimo Vasco, Benedito Ngomane, Naftal Donaldo, José Sixpence, Artur Saúde, Constâncio Nhancale, Basílio Langa, Abreu Sumbana e José Carlos (os dois último falecidos).

A fotografia, talvez porque seu primeiro director era fotojornalista, também teve profissionais de mão cheia e para toda a obra, como José Cabral, Domingos Elias, Amadeu Marrengula e Alfredo Mueche.

A beleza gráfica deste semanário por muitos e longos anos deveu-se à competência do mestre Domingos Macassa, Sebastião Corsino e Sérgio Zimba (maquetistas e cartoonistas). Leonel Magaia, que regressou à casa-mãe Notícias, adicionou qualidade linguística, numa equipa colegialmente determinada pelo talento de jovens como Ermelindo Bambo, Valdemiro Vaz, Darlene Mavale, João Manasses,  Ricardo Timbe e Ceccídio Munguambe.

Porque este semanário sempre foi informativo, educativo, pedagógico e cultural teve riquíssimas rubricas, por exemplo Ranzharte, que moldou um naipe de artistas plásticos aclamados intra-muros e além fronteiras que tinha como críticos de arte o Mestre Malangatana Valente Ngwenha, Júlio Navarro e Augusto Cabral (todos falecidos). Para eles vai a nossa homenagem.

O nosso reconhecimento é extensivo a colunistas como Sérgio Vieira (Carta há muitos amigos), 20 anos de colaboração, Rafael Maguni (Vandole Ukaliole), Luís David (Antes e Depois) e Machado da Graça (O Metical).

Inúmeras distinções ilustram bem como este projecto jornalística nascido em 1981 e inicialmente meramente cultural e recreativo foi sabendo metamorfosear-se e se tornou um jornal de referência para cada moçambicano. Como se pode depreender este é um projecto com os pés bens assentes na terra.

Por muitos e longos anos continuaremos de caneta em punho para contar as estórias deste país que tem o Índico como varanda. Estamos juntos.

Texto de André Matola
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