ABEL XAVIER: A rotina do seleccionador nacional

Texto de André Matola
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É uma figura sobejamente conhecida em Moçambique, a terra que o viu nascer, e em Portugal, que o firmou como futebolista de primeira água, mais uns tantos países.Só como “background”, vale a pena recordar que jogou no Sport Lisboa e Benfica (SLB) e representou a selecção das “Quinas”. Jogou ainda na Turquia, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Espanha e Holanda. Em suma, é um cidadão do mundo. De há sensivelmente dois anos a esta parte é seleccionador principal dos “Mambas”, a nossa Selecção Nacional de futebol.

Afável de trato, mas firme nas suas convicções, Abel Xavier tem as suas rotinas consolidadas. Acorda geralmente às 8.00 horas da manhã. Minutos depois toma o pequeno-almoço não longe da sua residência. A ementa é simples, geralmente fruta, cereais e um líquido para não irritar o estômago.

Por volta das 10.00 horas franqueia a porta do seu gabinete de trabalho na Federação Moçambicana de Futebol (FMF) e passa a ser a agenda do dia a ditar todos os seus passos porque, segundo sublinha, há muita coisa por fazer para antecipar e visualizar. “Com todo staff presente delineamos o dia, as tarefas, porque durante a semana às vezes há jogos provinciais que temos de observar e analisar”.

Quebra o dia para almoçar, umas vezes sozinho e outras com os colegas. De volta à FMF procura chegar à fala com os jogadores porque, sublinha, “é importante fazer essa monitorização para estarmos mais sintonizados e próximos”.

Às 17.00 horas, mais ou menos minuto, está de regresso à casa, onde obedece a uma espécie de ritual. Tira 30 minutos para escutar música, “num plano mais em silêncio”, ao que seguidamente puxa pela agenda diária e regista as incidências mais significativas do dia. Segue-se o jantar. Depois, consoante a inspiração, direcciona os seus passos a uma sala de cinema. Confessa-se cinéfilo assumido, “pena que não haja muitas salas e, decorrentes disso, as escolhas são limitadas”.

Novamente na sua residência, escreve um pouco mais, lê, “muito”, e observa muito as partidas de futebol que passam nos distintos canais da televisão. “Basicamente gosto muito de retirar as imagens dos jogos das equipas, das selecções, anotar os aspectos técnicos, dos treinadores, e pesquisar. A minha rotina é em função do trabalho. Na altura de férias opto por ir oxigenar e desfrutar um pouco da companhia dos meus filhos”.

Abel Xavier tem dois filhos (David e Lucas), sendo que o mais velho (David) tem 22 anos. “A característica dos meus filhos é terem nomes bíblicos”.

É o primogénito de um total de quatro irmãos: ele e mais uma irmã nasceram em Moçambique, outros dois em Portugal. “A minha mãe vive na Matola”, prossegue: “Tenho parte da família que nunca saiu de Moçambique e familiares na província de Tete e nas cidades da Beira e Cuamba… Eu nasci em Nampula”.

“Tenho um livro feito até aos meus 34 anos. Ainda tenho mais páginas por escrever sobre acontecimentos da minha vida, porque uma das coisas que vou pretender fazer é uma auto-biografia didáctica da construção duma carreira de um jogador, não começando do início, mas do fim”.

 

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